Luto no esporte: Faleceu PIERO GANCIA

Faleceu hoje, em São Paulo, o ex-piloto e empresário Piero Gancia, que entre outras coisas foi presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, de 1988 a 1991, período no qual teve papel decisivo no retorno do GP Brasil a Interlagos. Coube a ele também a primazia de ser o primeiro campeão brasileiro de automobilismo, em 1966. Acometido de Alzheimer e outras complicações, Gancia sofria com a doença havia dois anos.

Casado com D. Lulla, que o acompanhava pelas pistas, teve dois filhos. Bárbara Gancia é uma renomada jornalista em São Paulo e o filho Carlo, entre outras atividades ligadas ao automobilismo, é um dos representantes no Brasil da Indy Racing League.

Em matéria assinada pelo jornalista Marcus Zamponi e publicada na edição 21 (Agosto 2006) da extinta revista Motorsport Brasil, Piero Gancia declarou: “Hoje a Fórmula 1 deixou para trás a emoção da parceria do homem com a máquina. Basta olhas os painéis desses carros. São tantos botões, tantas alternativas, que a impressão é a de que um robô pilotando seria melhor“. (Veja aqui a íntegra da matéria)

De nacionalidade italiana, Gancia nasceu em Turim em 1922 e aos nove anos viu a primeira corrida. Tinha como ídolo Tazio Nuvolari, “um bravo”, como o definia. Como administrador da vinícola da família, a Frateli Gancia, viajava constantemente para a América do Sul e fixou residência no Brasil no início dos anos 50, após um período residindo no Uruguai. A paixão pelo automobilismo já existia quando morava na Itália, mas foi no Brasil que, efetivamente, começou a correr.

Fotos VINÍCIUS NUNES

3 Comments

  1. Paulo "McCoy" Lava 11 de novembro de 2010 at 17:01

    Sou mais na fila de pessoas que lamentam o passamento de Mr. Piero Gancia. Tive a oportunidade de conhecê-lo em 1988, no salão do automóvel. Na época, em breve conversa que tivemos, ele recebeu de bom grado uma idéia que tive – levantamento de dados sobre campeonatos brasileiros de automobilismo (eu tinha 19 anos; ele ficou impressionado quando o parabenizei pela conquista do primeiro campeonato brasileiro de automobilismo oficial CBA, 1966). E mais: Mr. Gancia igualmente acenou que quando eu tivesse tal material pronto, que a CBA iria adquirir meu trabalho e publicar no anuário da entidade. Infelizmente, não tive oportunidade mostrar à ele o resultado de minha alentada pesquisa – pior ainda, seus sucessores na administração da entidade-mater, nunca demonstraram interesse em adquirir meu material (definitivamente, nasci no país errado). Mas, voltando: em complemento à este tópico, fica a recordação de uma administração correta e, melhor ainda, o proprietário deste ‘blog’, em 2006, junto do mestre Marcus Zamponi, registrou, nas páginas de Motorsport Brasil, uma das mais belas carreiras do automobilismo brasileiro. E, o que foi melhor: Mr. Gancia com certeza ficou enaltecido ao constatar que seu passado esportivo e administrativo junto ao automobilismo brasileiro não foi esquecido.

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    1. Americo Teixeira Jr. 11 de novembro de 2010 at 17:40

      Amigo Paulo, obrigado por seu comentário. De fato, um dos nossos objetivos na revista era homenagear em vida muitas personalidades do nosso automobilismo. Em alguns casos, conseguidos. Infelizmente, não houve tempo para ampliar essa lista de homenageado além daquela que foi construída ao longo de 33 edições.

      Abração!

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  2. Alan Magalhães 3 de novembro de 2010 at 9:15

    Foi-se um dos grandes desportistas do automobilismo. Tive a grata felicidade de conviver com o “seo” Piero durante sua gestão à frente da CBA, quando trabalhei na organização da Fórmula 3 sul-americana. Nunca vi um presidente da CBA tão engajado no trabalho de fazer o automobilismo brasileiro ser reconhecido como ele. É dele a responsabilidade de dar ao campeão da nossa F3 a tão cobiçada Super Licença da FIA. Ele fazia pouca política e muito esporte, sem dúvida foi o único presidente da CBA que me deixou saudades, não teve nem um traço do autoritarismo de alguns, muito menos o comportamento reacionário de outros. Da CBA não tirou nada, ao contrário, só contribuiu com sua experiência internacional, contatos importantes e amor pelo esporte.
    Soube representar o Brasil no cenário internacional do automobilismo de forma competente, ao contrário dos tempos atuais, em que somos preteridos e sobrepujados por países como Peru e Bolívia.
    Os verdadeiros representantes do automobilismo romântico estão sumindo, alguns levados por Deus, outros, ainda por aqui, simplesmente se afastaram do esporte, desiludidos com que vêem e com o descaso a que são submetidos. Infelizmente pessoas como o “seo” Piero não tem mais lugar nas administrações atuais, mais preocupadas com a política do que com o esporte, uma pena. meus sinceros sentimentos ao Carlo e à Bárbara, bem como a toda a família Gancia.

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