Por Américo Teixeira Junior – O automobilismo é um esporte que produz ilusões. É fundamental o SER (talentoso, dedicado, estudioso e esforçado), mas sem o TER (recursos financeiros, técnicos e, eventualmente, políticos) a coisa não acontece. As lembranças de um passado que se convencionou chamar de “tempos românticos” mostram que houve épocas nas quais essas duas condições até estiveram parelhas, mas a capacidade pessoal perdeu um certo protagonismo por conta do chamado “desenvolvimento”.

A busca por desafios cada vez mais ousados, a competitividade oferecida pela tecnologia e um elemento comercial envolvendo tudo isso de forma avassaladora resultaram na criação de uma engrenagem complexa, que fez a humanidade do esporte perder espaço para o tecnológico. E quanto mais sofisticada a manifestação do automobilismo, mais evidende fica a dura realidade do “no money, no race”.

Mas quando tudo parece perdido, quando nada parece deter esse “monstro” que se apossou do espírito pioneiro do automobilismo de competição e de seus valores mais nobres, eis que somos meio que “esbofeteados” por Le Mans e a sua lufada de humanidade.

Claro que o poder econômico também se faz muito presente na mais famosa prova de endurance do mundo, mas ainda há lugar para o orgulho de lá ESTAR, a emoção pelo simples fato de COMPLETAR, a solidariedade em CONFORTAR e a alegria de CUMPRIR um planejamento. Não, não há espaço para ilusão no automobilismo, mas Le Mans resgata um pouco do lado humano do esporte, a ponto de “recarregar baterias” para que o “monstro” continue a ser enfrentado.

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during the 2016 Le Mans 24 hours race, from June 18 to 19 at Le Mans circuit, France - Photo Francois Flamand / DPPI
Pódio geral da edição 2016 da Le Mans 24 (Foto Michelin Media/Francois Flamand/DPPI)

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