Formula One World ChampionshipNenhum chefe de equipe de Fórmula 1 conseguiu manter sua equipe como Frank Williams. O mesmo cidadão que já em 1967, com um chassi Brabham, dava seus primeiros passos na categoria, agora recepciona Rubens Barrichello como seu piloto. Tudo mudou na Fórmula 1, mas Williams nela se mantém, mesmo limitado pelo acidente que o deixou paraplégico, no comando de seu time há mais de 40 anos. A união do mais tradicional chefe de equipe com o piloto mais experiente, além do simbolismo, permite supor uma jornada de trabalho muito proveitosa. Some-se a isso o fato de Patrick Head ser o responsável pelos grandes chassis da Williams que, agora, voltará a usar o motor Cosworth, o mais vitorioso da Fórmula 1. No papel, pelo menos, é um “casamento” perfeito.

De dono de equipe pobre no início dos anos 70, Frank Williams era ao mesmo tempo o chefe, mecânico, carregador de caixas, homem de marketing e tantas outras funções. A Williams passou a competir de forma constante a partir de 1970, quando correu com o carro construído pela italiana De Tomaso em 1970. Foi cliente da March em 1971 e 1972, tendo José Carlos Pace como piloto neste último ano, Em 1973 a denominação mudou para ISO Marlboro e assim continuou até 1974, com carros de fabricação própria. Nos três anos seguintes a equipe mal se manteve de pé, mas Frank Williams sonhava alto. E foi a partir de 1978, em sociedade com Patrick Head e o patrocínio da Saudia, empresa aérea da Arábia Saudita, que a equipe passou a ser grande e vitoriosa.

A marca de Frank Williams

Enquanto a Williams se manteve o tempo todo sob o comando de seu fundador, todas as demais equipes sofreram transformações fundamentais, a começar da Ferrari, que apesar da condição de participante desde o início da Fórmula 1, foi incorporada pela Fiat, deixando de ser a equipe de Enzo Ferrari, embora ele tenha dirigido seus destinos até sua morte, em 1988. A McLaren foi criada por Bruce McLaren, falecido em 1970, e dirigida por Ted Meyer a partir de então. Ron Dennis entrou somente em 1981, quando adquiriu a equipe de Meyer. O crescimento resultou numa parceria acionária com a Mercedes-Benz, transformando-a na equipe oficial da montadora alemã, co-proprietária. A Renault incorporou a Benetton em 2000, ex-equipe Toleman (1981 a 1985) e pertencente à empresa italiana de confecções, que tinha Flavio Briatore como um de seus executivos. Foi na organização original, a Toleman, que Ayrton Senna fez a sua estréia na Fórmula 1 em 1984.

A própria Brawn GP, a estreante que de estreante não tem nada, teve suas bases edificadas por Ken Tyrrell, o chefe de equipe campeão do mundo com Jackie Stewart em 1969, quando a Tyrrell utilizava os chassis construídos pela Matra. Em 1970, enquanto Derek Gardner projetava e o primeiro chassi Tyrrell, a equipe utilizava os March 701, o primeiro modelo da nova fábrica, que tinha Max Mosley como um dos sócios. Em 1998 a Tyrrell, já longe de seus tempos de grande resultados, foi comprada pela British American Tabacco e virou BAR, a mesma estrutura adquirida pela Honda em 2006 e que existiu até o final de 2008, quando a empresa japonesa abandonou abruptamente a categoria e passou a equipe para Ross Brawn. As equipes comandadas pela Red Bull também não têm quaisquer vestígios de suas origens.

A Red Bull Racing é originária da Stewart, time criado pelo tricampeão mundial em 1997. A partir de 2000, adquirida pela Ford e batizada como Jaguar, esteve nas pistas até 2004, sendo adquirida pela Red Bull. Já a Toro Rosso Racing é resultado da compra da Minardi em 2005, encerrando uma história iniciada por Giancarlo Minardi em 1985 e que nos últimos anos, antes da aquisição, fora comandada por Paul Sttodart. A Toyota foi criada do zero pela líder mundial na fabricação de carros, em 2002. Confirmando os diversos boatos que há tempos circulava pelo paddock e redações, anunciou ontem, no Japão, a sua saída da categoria. Em sentido oposto, quem gostaria de continuar é Peter Sauber, que depois de criar seu time em 1993 e vendê-lo em 2005 para a BMW, viu a montadora alemã se despedir em Abu Dhabi e, agora, tenta ser a 14ª equipe, adquirida que foi, majoritariamente, por um grupo de investimentos.

Mas a grande “salada” em termos de troca de comando aconteceu na atual Force Índia. Eddie Jordan moldou o seu time, que estreou na Fórmula 1 em 1991, à semelhança de seu jeito descontraído de ser. Foram 15 temporadas e aí começou o troca-troca. Primeiro, foi a Midland. Depois, a Spyker, até ser comprada pelos indianos e se transformar nessa equipe que parece ter um comprometimento esportivo muito positivo. Resumindo, somente Frank Williams resistiu aos altos e baixos da Fórmula 1, não passando o comando de sua equipe nem em momentos de parceira com a BMW e Toyota. Correndo com os novos motores ingleses da Cosworth e sem o apoio direto de montadoras, fica ainda mais reforçada a condição de tradicional e independente equipe de Fórmula 1.

Senna - Williams 2

Fotos: Ao alto, Frank Williams e Nelson Piquet em 1986, ano do acidente. Acima, Ayrton Senna no Grande Prêmio do Brasil de 1994 (Fotos WilliamsF1)

4 COMENTÁRIOS

  1. belíssima história tem essa equipe.

    Frank é um homem que inspira confiança, por isso as empresas sente-se à vontade para patrocinar a equipe e isso garantiu que a Williams nunca abandonasse a F1 apesar das dificuldades.
    o maior problema enfrentado hoje é tornar a equipe competitiva novamente e ser campeã.

    =(

  2. Esse com certeza é um genoíno dono e dirigente de equipe,com muita história ,as vezes tenho pena de não vela mais disputando títulos como antes, mas com Rubens em 2010 a coisa pode voltar a ser como era antes, vamos torcer!!!

  3. Vi a tristeza no rosto do velho Frank no velório do Ayrton. Aquilo resumia todo o amor q tinha pelo brasileiro e tb pelo esporte, mas que por vezes, o obrigava a lidar com tragédias.
    Homem admirável, projeto de vida idem.
    Forte abraço

  4. Vi a tristesa eno rosto do velho Frank no velório do Ayrton. Aquilo resumia todo o amor q tinha pelo brasileiro e tb pelo esporte, mas que por vezes, o obrigava a lidar com tragédias.
    Homem admirável, projeto de vida idem.
    Forte abraço

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