Por Américo Teixeira Junior – É simplista a ideia de que o Banco do Brasil não deve investir em patrocínios por se tratar de dinheiro público. É facultado aos administradores mudar as estratégias de tempos em tempos. É o que ocorre atualmente com o apoio dado ao piloto Felipe Nasr, que só será mantido em 2017 se ocorrer em valores menores. Essa decisão pode resultar na primeira ausência de um brasileiro no grid da Fórmula 1 desde os anos 70 do século passado. Para o bem ou para o mal da carreira do brasiliense de 24 anos, uma posição oficial é aguardada para breve.
Mas, independentemente desse posicionamento sobre a Fórmula 1, o Banco do Brasil tem de continuar investindo em patrocínios esportivos e culturais por um motivo simples. Como instituição financeira, precisa dar lucro e concorre no mercado contra gigantes do setor, que fazem do patrocínio uma maneira de se apresentar mais intensamente diante da sociedade.
Por se tratar de um banco público, obviamente que é controlado pelo governo federal, mas é errado imaginar que o poder público é o único dono. Números fornecidos pelo próprio BB indicam que mais de 40% da composição acionária é composta por investidores privados, sendo quase metade desse total ser de capital estrangeiro. São mais de 300 mil acionistas pessoas físicas, 13 mil pessoas jurídicas e quase 1000 investidores institucionais.
É logico que essa gente toda está de olho nos lucros do banco, que tem R$ 1,443 trilhão em ativos, posição que garante à instituição a liderança do setor. O lucro líquido em 2015 atingiu a marca de R$ 14 bilhões. Apesar de parecer muito – e de fato é, escandaloso até -, não foi o bastante para suplantar o desempenho de Itaú e Bradesco. É, portanto, um mercado gigante a ser enfrentado com armas conhecidas, dentre as quais os patrocínios. Pode até não ser na Fórmula 1, mas se esconder nesse mercado não é inteligente.