Corrida e televisão: Tem acordo?

Por Eduardo “Borracha” Abbas * para o Diário Motorsport

No atual cenário do automobilismo brasileiro, há uma categoria que tem tudo para mudar os rumos das corridas nas pistas e no tão cobiçado espaço na televisão brasileira: a Copa Montana.

Nascida em 1999 pelas mãos de Gerson Marques, com o nome de Pick-up Racing e baseada na Truck Series da Nascar, já estreou como multimarcas. Chevrolet, Dodge e Ford desfilavam seus carros adaptados nas pistas. Foi patrocinada pela Petrobras e se transformou num grande laboratório de desenvolvimento. Seu motores foram impulsionados pelo álcool (hoje etanol) em uma fase e por Gás Natural Veicular, o popular GNV, em outra.

Despertou o interesse do então presidente da Vicar, Carlos Col, que em 2007 adquiriu os direitos de organização da categoria e a transformou em algo parecido com a Stock Car. Os carros de série deram lugar aos tubos e às bolhas de fibra de vidro. A Mitsubishi e a GM garantiram a presença e se constituiu na terceira das quatro categorias que compunham o evento Stock (Copa Nextel, Copa Vicar, Pick-up Racing e Stock Jr.).

Os tempos mudaram, os preços aumentaram e foi necessária uma nova mudança para continuar tendo uma categoria interessante aos pilotos que procuram uma vaga na agora Copa Caixa. Saiu do ar a Copa Vicar (ou Stock Light) e investiu-se na Pick-up Racing.

Surgiu, assim, a Copa Montana, rebocada pela Stock Car e garantida pela GM. Ela procura ser o primeiro lugar na opção para pilotos e equipes que não participam da festa da categoria principal. A mudança não foi apenas nos “tubulares”, mas também na forma de mostrar a corrida para o grande público.

O promotor e o patrocinador principal resolveram procurar outro canal de televisão, que oferecesse mais espaço para o evento e fizesse investimentos no produto. Encontraram na Rede TV uma parceria ideal. Não é mais um evento para a emissora, na verdade é “O” evento.

A Rede TV esta agora entrando de cabeça nesse segmento das corridas. Falta talvez um pouco mais de conhecimento na hora de realizar, mas o que vimos foi bom. A tentativa da interação do público é válida, mas não como pretendem usando todas as formas de comunicação. Em 40 minutos não é possível para usar e-mail, SMS, Skype, MSN, telefone e ainda narrar e comentar a corrida. Esse talvez tenha sido o exagero.

Mas valeu muito a pena, principalmente porque apareceu, enfim, uma opção em TV aberta para a forma absolutamente engessada de transmissão de corridas. E tem mais, um piloto comentando é realmente o máximo! Otávio Muniz narrou e Ricardo Mauricio comentou. Gostei muito da dupla. A transmissão vai melhorar e crescer junto com a audiência, que não foi ruim.

Não é só isso que vai transformar a Copa Montana na queridinha dos autódromos. A presença de pilotos de primeira linha com muito talento, mas pouca grana, vai certamente aumentar a competitividade. O destaque entre os 33 que largaram foi evidentemente o Nelsinho Piquet, convidado para a primeira etapa, que deu um show nos treinos e na corrida. E talento não falta, tem também gente como Julio Campos, vencedor da etapa, Rafael Daniel, Wellington Justino, Diogo Pachenki, Sérgio Jimenez, Pedro Boesel e por aí vai…

O bom desse fim de semana foi saber que está começando a surgir espaço para o automobilismo fora dos lugares considerados padrão e todos devem procurar mesmo essas novas opções. Plagiando o José Simão, quem fica parado é poste, e nada mais propício para um esporte que não anda, corre. (E-mail: [email protected]. Follow me: http://www.twitter.com/borrachatv)

* O jornalista Eduardo Abbas foi produtor de Fórmula 1, Stock Car e da programação automobilística da Rede Globo e SporTV, exercendo atualmente consultoria em sua especialidade. É colunista convidado do Diário Motorsport e o mesmo é única e inteiramente responsável pelo conteúdo do espaço que assina.

Copa Montana - Foto Stock Car

9 Comments

  1. Alan Magalhaes 4 de maio de 2010 at 19:31

    Poxa, esse post que começou com TV tomou um outro caminho, muito legal, diga-se de passagem. Eu posso dizer, não fiz parte de nada na Pickup Racing, mas acompanhei de fora, atentamente, seus passos iniciais. Na verdade, quando eu era promotor do Superturismo Sudam, fizemos uma etapa em Curitiba e o saudoso “Gersão” me foi apresentado, mostrando-me uma picape amarela, já preparada. Lembro-me de ter-lhe dito que achava a idéia fantástica e que de nossa parte, todo o apoio seria dado, o que pudéssemos fazer, faríamos. Convidei-o a fazer provas no mesmo programa do Sudam, quando elas fossem no Brasil.
    Eu já passei várias vezes por esta situação de ter que garimpar carros para formar grid, pagar pneus, inscrição, hotel, para ter dois ou três carros a mais alinhados, sei o quanto é difícil e sei também como isso demonstra amor ao esporte. E olhe que fizemos isso em Fórmula 3, Stock Car – quando ela esteve sob nossa organização, na DS Eventos.
    Enquanto a Pickup dava seus primeiros passos, eu administrava a Brascar, tentava fazer dela uma categoria mais forte, viável. Conseguimos visibilidade para ela, melhor organização, além de traze-la para São Paulo, sonho antigo dos fundadores e de seu mentor maior, Carlos Kray, sujeito da mais alta qualidade, honestidade e seriedade, que tenho a honra de provar de sua amizade até hoje. Mas, por motivos que dificilmente contarei publicamente (mas morro de vontade), tivemos que abdicar dos planos. Falo de uma interferência política severa que aconteceu na época – a favor de um outro promotor – não apenas da semvergonhice mais conhecida, de um pseudo fabricante de carros que vendeu um carro para o Kray e não o entregou até hoje e pior, perambula até hoje pelos autódromos, masi precisamente no Endurance. Não foi só isso, apesar de que este fato atrapalhou bastante. Mas já estou divergindo do assunto principal aqui.
    O máximo que fiz pela Pickup Racing foi escrever uma matéria na Revista StockShow, que fiz com grande prazer, pois a categoria recebia naquele momento, seu atestado de maioridade. Pena o Gersão não ter presenciado com os filhos e com os parceiros que arregimentou. Mas com certeza viu de outro lugar, orgulhoso, talvez junto de meu pai, que também adorava as corridas e foi o responsável por eu estar há 22 anos trabalhando exclusivamente com elas.
    O automobilismo é feito de algumas histórias e muitas estórias. Histórias bonitas como a da PR merecem ser enaltecidas, por isso, dou os parabéns aos irmãos Marques e aos corintianos (nada é perfeito) Stringa e Luc, dois amantes do esporte, à Glauce, batalhadora, além da enorme turma que deve ter ajudado.

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  2. Gerson Marques Jr. 20 de abril de 2010 at 19:30

    Claudio, Luciano…Schelly…

    nem tenho como esquecer de vocês, nem tudo que fizeram pela Pick-up Racing, e acho que vcs 3, bem como zóião…Rubens Gatti, Glauce…enfim, todos vencedores e com participação muito mais que importante, em tudo que eu escrevi no outro post…

    Alias, esses dias, um jornalista me propos de colocar a história da Pick-up Racing num livro…pense…QUEM VAI LER!!?? E SE FOR CONTAR TODA VERDADE…TEM MUITA GENTE VIVA!!!(GRAÇAS A DEUS!!) Quem sabe um dia…ai sim poderei agradecer a todos vocês, de uma forma singela…mas verdadeira!!
    jamais esqueceremos de vcs!!

    abraço e saudades!!

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  3. schelly schemberger 20 de abril de 2010 at 18:57

    Concordo plenamente com vc Claudio… sim… todos foram parceiros e acreditando na “FAMÍLIA PICKUP RACING” ajudaram e colaboraram de alguma forma…

    E eu tendo vivido essa dificuldade junto com Gerson e Gue, e participado de tudo, o que mais me emociona é uma entrevista que o
    Grande Gersão deu no inicio de tudo, que o grande sonho era chegar no chassi tubular e motor V8…

    Fico feliz de estar onde estamos hj, e triste por ele não estar aqui presenciando esse sonho.

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  4. Luciano Monteiro 20 de abril de 2010 at 18:18

    Fiz parte desse time, da última corrida de 2003 à última de 2005.

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  5. Claudio Stringari 20 de abril de 2010 at 17:49

    Gerson, não esqueça de agradecer às inúmeras pessoas que ajudaram e investiram na categoria.

    Se muitos ficaram pelo caminho, vários se mantiveram firmes por bastante tempo, apesar das inúmeras dificuldades, que não foram exclusividade dos promotores.

    Se hoje a Pick-up Racing se tornou um sucesso é pela dedicação de vocês e de uma equipe imensa que acreditou neste projeto. Sem essas pessoas, quem sabe a categoria tivesse acabado.

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  6. Gerson Marques Jr. 20 de abril de 2010 at 13:40

    Bem, em primeiro lugar, gostaria de agradecer o reconhecimento…pois no final de semana que foi realizado a primeira etapa do campeonato de 2010(Copa Chevrolet Montana) fazia exatos 10 anos que fizemos a primeira prova em 2001 da Pick-up Racing…eu, meu irmão Gue e meu falecido Pai. Com 8 Pick-up´s, onde 2 eram nossas, e tive que mandar gasolina pra que um piloto pudesse comparecer a prova…Enfim, fizemos a primeira prova, e ninguém acreditou que fariamos a segunda…pois tanta gente com um suporte muito maior não só financeiro, como de relacionamento, ficaram pelo caminho!
    Quanto a transmissão pela tv, gostaria de lembrar que desde o nosso segundo ano tivemos transmissão ao vivo por tv aberta…ora pela Bandeirantes, depois Redetv, e Redevida…agora voltamos com muita satisfação para Redetv. Credito a esse investimento que fizemos desde o segundo ano, um grande rombo financeiro!! mas por outro lado, foi a nossa grande “sacada”!! pois nosso grid aumentava a cada ano, e como salientou o Borracha, chamou a atenção do Carlos Col.
    Nem sei se era o espaço correto para contar essa pequena história…mas fico muito feliz, quando alguém reconhece nosso passado…seja ele uma pessoa influente no meio como o “Borracha” como qualquer outra pessoa que conhece essa história incrivel de superação, que foi a Pick-up Racing.

    Grande abraço a todos

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  7. Alan Magalhães 17 de abril de 2010 at 0:37

    Parabéns ao Borracha pela clara visão dos fatos, que não poderia ser diferente, pois de televisão ele entende muito. Comungo de sua idéia e posso dizer que já a coloquei em prática. Isso foi no final dos anos 80, início dos 90 quando eu cuidava da área de divulgação e promoção da F3 Sul-americana. Tínhamos o chamado “evento marcado” na Globo, embrião do que acontece hoje. Um compacto da corrida reduzidíssimo e editadíssimo entrava no Esporte Espetacular, onde só as marcas dos patrocinadores desta micro transmissão apareciam. Afirmo-lhes que nunca vendemos um patrocínio a mais por causa disso.
    Na Band era – desculpem o trocadilho – uma bandalheira. Assinavam contrato de transmissão e na hora H não transmitiam. Tínhamos passado pela Rede Manchete, onde comentei corridas ao lado de Edgard Mello Filho. Foi quando dei a idéia de procurarmos a Rede Record. Sim, a rede dos bispos, da igreja universal. E fomos bem recebidos lá, a F3 teve até treino de classificação no sábado transmitido ao vivo e os índices foram aumentando até chegar a 5, maravilhoso, afinal, a cobertura deles era muito grande, hoje deve ser até maior. Quando fomos traídos na F3 (história para outro dia) e criamos o Superturismo Sudam em 1997, foi na Record que as provas foram transmitidas. Com Edgard na narração e eu nos comentários.
    Buscar novos rumos e alternativas se faz necessário. Ficar numa emissora que prefere colocar um salto de paraquedas ou a escalada frustrada de uma montanha, que foram gravados com semanas de antecedência, é tapar o sol com a peneira. Dizer que a audiência da Globo vendeu algum patrocínio na Stock é uma grande enganação, pois, até hoje, só aparecem as marcas dos patrocinadores das transmissões. Eles continuam com a nefasta mania de cortar os bonés, bordados dos macacões, carros e merchandising de pista que não sejam deles, uma pena para o esporte.
    Vale a pena só pelo status de dizer que está na Globo? Na minha opinião não, assim como os telespectadores, o público nos autódromos merece mais atenção. Com largada as 10 da manhã de domingo, o cara é obrigado a fazer um esforço enorme para estar lá, sem dizer que as categorias suporte correm depois da principal, para arquibancadas vazias. É hora de ter um pouco de coragem, pois o público da Stock já está minguando nos autódromos e a relação custo x retorno das categorias suporte, como a Montana, pode inviabilizá-las.

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  8. Flavio Perillo 16 de abril de 2010 at 15:34

    Finalmente!!
    Infelizmente perdi a hora no´domingo graças a mudanças que precisava fazer em casa e perdi a corrida.
    òtimo saber que tirando uma coisinha e outra, a transmissão e narração foram um sucesso.
    Quem sabe agora os diretores ou sei lá quem seja dessa “porcaria” de emissora que acha que é dona do mundo, não tira a bunda da cadeira e mostra corridas ao vivo e na íntegra.
    Abraços.

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  9. Rafael Rosa 15 de abril de 2010 at 21:06

    Parabéns pelo post borracha! É por ai mesmo. As categorias tem que procurar novos caminhos se quiserem ter mais visibilidade. O que a Globo está fazendo com a Stock, não é culpa da emissora carioca e sim de quem está a frente da categoria, que negociou e aceitou o jogo da Vênus Prateada! O automobilismo brasileiro precisa desse incentivo! Tomara que a empreitada da RedeTv que talvez exiba também a F3, seja vitoriosa! Um abraço! Twitter – @rafael_rosa81

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