
Embora a próxima assembléia eletiva na Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) só deva ocorrer em dezembro de 2012, o presidente Cleyton Pinteiro já trabalha por sua reeleição. Segundo interlocutores próximos ao dirigente pernambucano, sua expectativa é a de ser candidato único, como ocorreu em sua eleição atual, e contando novamente com o amplo apoio da maioria das federações localizadas no Norte e Nordeste do país. Para fortalecer sua posição, Pinteiro estaria por promover algumas modificações em sua equipe direta.
Antes da última alteração estatutária da CBA, promovida pelos aliados do então candidato Cleyton Pinteiro contra o ex-presidente Paulo Scaglione, somente cinco federações estariam em condições de votar ao final de 2008, de acordo com o ex-mandatário. Entretanto, valendo-se de uma brecha em sua redação, o grupo de Pinteiro reformou os estatutos, tornando o voto igualitario e eliminando a exigência de quatro anos de filiação, passando a contar o ano fiscal e não mais a data da filiação. Isso faz com que o atual presidente tencione contar com os votos das federações a ele ligadas e as filiadas em seu primeiro ano de mandato, além daquelas contestadas na gestão anterior.
OPOSIÇÃO E DEMAIS INTERESSADOS TRABALHANDO
Esse objetivo do presidente, porém, não encontra eco em todo o universo de federações votantes. Segundo o Diário Motorsport teve condições de saber, há uma movimentação oposicionista em curso. Por conta disso, não deverá ser surpresa o lançamento, em futuro não muito distante, de uma candidatura encabeçada por uma liderança pinçada dentre os atuais dirigentes que ocupam cargos de presidentes de federações. Esse nome viria daquela parte do país que engloba setores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Por fora, pelo menos dois promotores de ampla atuação no automobilismo brasileiro observam de perto a movimentação e não é “página virada” em seus respectivos caderninhos uma candidatura desse segmento. Mas essa não é uma tarefa fácil, visto haver também a existência de certo corporativismo. Uma candidatura, para ser registrada, precisa necessariamente do apoio de um número nínimo de federações votantes, algo em torno de 20% delas. Como estabelecido pela legislação brasileira do desporto e pelo estatuto da entidade, pilotos e demais profissionais do automobilismo não participam do pleito. Os eleitores são, exclusivamente, os presidentes das federações estaduais.
Concordo plenamente com o que o Alan disse. O grande problema do automobilismo brasileiro é sua forma de eleição. Se para presidente da república quem vota é o povo, para presidente da CBA não são os pilotos. Quem elege o presidente da CBA são os presidentes das FAUs. E quem elege os presidentes das FAUs? Os presidentes dos clubes de automobilismo no seu estado. E aí está o grande X da questão. Quem elege os presidentes dos clubes? Ninguém, os clubes tem dono, e as vezes uma mesma pessoa tem vários clubes (em SP pelo menos é assim).
Muito difícil de mudar a estrutura do automobilismo no Brasil, pois é impossível de mudar a base dele.
Sou apolítico e para mim tanto faz quem dirige a CBA, desde que o faça de maneira correta e progressista. Militando no automobilismo diretamente há 26 anos, nunca me envolvi com política, mas tive a oportunidade de acompanhar várias gestões, desde Melo, passando por Bufáiçal, Piero Gancia, Scaglione e Pinteiro. A única excessão positiva para mim foi o Sr. Gancia, que pensou exclusivamente no esporte, usou seu prestígio internacional, cavou um lugar para a CBA na FIA e até Superlicença conseguiu para o campeão de nossa F3. Os restantes se satisfizeram com políticas rasteiras e com o uso do cargo para usar de mordomias e se esbaldarem com um poder que acreditavam ter.
O automobilismo brasileiro vem morrendo lentamente nas últimas décadas. Os dirigentes esperam sempre que alguém tenha a coragem de criar eventos e vão lá pedir suas bençãos, além de claro, pagarem pelas taxas. Algumas pessoas me conhecem, sabem que depois que deixei a área de competições da Ford – de onde não precisava ter saído – decidi fazer automobilismo. Lutei nos anos 80 criando o Regional de Turismo no RS que foi um sucesso, mas não pensem que foi fácil, sempre tive que lutar também contra cartolas vaidosos. Depois foi a F3, o Superturismo e por fim a Brascar. Cito apenas as categorias onde atuei como organizador. Posso garantir que em todas elas tive(mos) que brigar bastante com dirigentes que insistiam em atrapalhar, em faturar. Incrível mas alguns deles estão aí até hoje, parecem eternos!
Perdi as esperanças e vejo o esporte hoje como uma nau que vai navegando ao sabor de (poucos) promotores, a CBA parece estar contente em apenas emitir carteirinhas e cobrar suas taxas, uma pena. Vivemos uma época de acidentes terríveis de trânsito e a CBA poderia fazer muito nessa área. Vivemos uma época de downsizing, menores emissões, carros ‘verdes’ e a CBA poderia atuar aí também. Educação para o trânsito, assunto tão negligenciado, poderia ser assumido pela CBA junto a rede pública de ensino em todo o país. Mas não vejo nada nesse sentido, nadinha, a não ser, uma bem sucedida fábrica de carteirinhas e uma verdadeira agência de turismo, que geralmente vai de 1a classe e às vezes até com as esposas.