CBA cria “abismo” entre ela e seus pilotos filiados

A entrevista do diretor de provas Sérgio Berti ao jornalista Felipe Paranhos, do site Grande Prêmio, revela um verdadeiro abismo que se formou entre a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e sua única razão de ser, os pilotos. Cumprindo um papel que é seu por direito, o de se defender daquilo que considerou ataques dos pilotos Cacá Bueno e Thiago Camilo, Berti se expressou com clareza, pessoa inteligente que é, enumerando seus pontos de vista e filosofias de trabalho. Mas enquanto falava pensando estar defendendo a CBA, na verdade, tão somente revelou um alarmante grau de ineficiência.

Esse abismo fica configurado numa explicação lapidar, que peço licença aos amigos do Grande Prêmio para reproduzir aqui: “O briefing não é para discussão. Eu sou muito claro para eles: o briefing é pontual e relativo a características daquela etapa e daquela pista. Então, ele não é um ponto de discussão, de desenvolvimento de temas ou de segurança. Eles tentam trazer discussões de outras provas, outros circuitos, e eu digo que não, que é pontual daquela prova. Na hora que eles quiserem, é só eles marcarem reuniões com a CBA. A entidade está sempre de portas abertas para eles“.

A primeira idéia que me vem à mente é você marcar uma consulta e o médico não deixar que explique o seu problema. “Não, não, aqui não é para falar da doença, Estou aqui para falar que todo medicamento tem de ficar fora do alcance das crianças e não se pode tomar remédios sem receita. Mas é só marcar uma reunião com o diretor para falar da doença, pois o hospital está sempre de portas abertas“. Não parece a mesma coisa?

Que entidade se recusa a ouvir seus representados no único momento OFICIAL de um evento OFICIAL em que todos, Confederação e filiados, estão OFICIALMENTE reunidos para conversar? De onde veio essa idéia de banalizar um encontro OFICIAL, transformando-o numa aborrecida formalidade, ao invés de estreitar relações com os pilotos? Quem mais, se não o representante OFICIAL da CBA numa etapa OFICIAL, poderia ser o melhor canal de comunicação OFICIAL entre Confederação e confederados?

Não há justificativas para uma postura como essa, do CTDN, de orientar seus membros a não discutirem em briefing temas relativos à profissão de seus pilotos. Se essa é a filosofia de trabalho, Sérgio Berti está certíssimo em não dar espaço para piloto, pois está apenas seguindo uma orientação. Mas, seguramente, é um desserviço e convite ao abismo.

 

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