Por Americo Teixeira Jr. – O automobilismo brasileiro vem se apequenando em diversas frentes, notadamente nas esferas política e esportiva. A estes podem se somar tantos outros que brecam o desenvolvimento do esporte no Brasil e um deles, sem dúvida, refere-se às praças esportivas. Os esfacelamento de muitos dos autódromos brasileiros, com destaque para os construídos com dinheiro público, é reflexo da falência nacional da administração pública. A constatação é muito simples: se questões fundamentais não são tratadas com a competência devida, o que dizer de coisas nada fundamentais como autódromos e automobilismo?

Autódromo público é uma indecência. Gastar dinheiro da população em coisas não cruciais é contribuir para que a classe política seja nivelada ao mais baixo estrato de pó de merda. O cara tem de entrar num posto de saúde e ser atendido com a presteza de um serviço médico particular. O outro tem de poder voltar para casa do trabalho inteiro e rápido, não flagelado na sua dignidade e no seu bolso. O outro, ainda, tem o direito de caminhar tranquilo com a certeza de que não vai levar um tiro no meio da testa por causa de um celular. E etc, etc e etc.

Mas no Brasil, historicamente, a maior concentração de praças esportivas para a prática do esporte a motor está nas mãos de governos municipais e estaduais. Muitas delas estão sucateadas e nem mesmo o Autódromo Municipal José Carlos Pace, com toda a sua excelência a ponto de receber a Fórmula 1, escapa de pressões por melhorias. E mesmo assim, vez ou outra, aparece um “iluminado” querendo mais um autódromo municipal.

Essa mania brasileira de se apoiar no Estado é antiga e muitos setores da população se acomodou nessa relação. No caso específico dos autódromos kartódromos e afins, é flagrante o comodismo e oportunismo de promotores e órgãos federativos que usam o bem público como se fosse privado e exigem melhorias que são de interesse restrito, não com benefício para o todo da população.

Antes de falecerem, o promotor da Truck, Aurélio Batista Félix, tinha um projeto bem adiantado com o empresário e artista popular Beto Carrero, que previa a construção de um autódromo privado para fazer parte do completo de entretenimento criado por Beto em Penha, Santa Catarina. Hoje há um kartódromo.

A Família Johamppeter construiu o VeloPark, Benedito Gianetti edificou o Clube Piracicabano de Automobilismo, Eduardo de Souza Ramos tornou realidade um autódromo de sua propriedade, a Família Giaffone colocou no calendário internacional do esporte o Kartódromo de Granja Viana. São apenas alguns exemplos de iniciativas privadas que foram na contra-mão da mendicância estatal.

Então, para que o automobilismo brasileiro tenha crescimento sustentado e garanta o seu espaço como segmento importante da economia brasileira, quem quiser fazer esporte tem de pensar, também, em criar praças esportivas. O poder público já se mostrou incapaz também de agir nessa área e se os protagonistas do esporte não acordarem, o grande leque de ausências no automobilismo brasileiro poderá ser ampliado.

Um esporte que já é considerado SEM futuro, SEM credibilidade política, SEM categoria de base, SEM formação de novos talentos e correndo o risco de se ver SEM ídolos nas categorias TOP, pode passar também a ser um automobilismo SEM autódromos.

Foto Miguel Costa Jr.

 

11 COMENTÁRIOS

  1. Américo, vc tem toda razão. Convido-te para dar uma olhada no meu blog onde falo um pouco sobre a vinda da motogp ao Brasil e colo um comentário sobre o autódromo de Jacarepaguá, que foi demolido. Essa cultura que o Brasil é o país do futebol está acabando com o desenvolvimento de talentos em outros esportes, tais como os de motor e etc.

    Grande abraço,
    Robson – http://super2wheels.blogspot.com.br/2013/08/confirmado-o-retorno-da-motogp-no.html

  2. Faltou citar o único Autódromo de Minas Gerais, em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, O Mega Space foi construído pelo empresário Calisto, um amante do automobilismo. Ontem mesmo assisti a etapa do Mineiro e Carioca da fórmula 1600 (os cariocas estão sem autódromo, então correm em Minas), foi espetacular.

  3. Se a presidente investisse em autódromo, com certeza iriam criticá-la e a acusariam de desperdício, hipócritas!

    Foda-se, corja DEMOTUCANA!!!

  4. […] A realidade de Interlagos, infelizmente, é muito triste. Há muito anos que ele é “depenado”   após a prova da F-1. Nos dias, semanas seguintes, pula-se o muro para levar o que é de valor: cabos de cobre, torneiras, o que for. Até por isso a própria prefeitura desmonta boa parte do material, para recolocá-lo na época mais próxima à corrida. Para o Américo Teixeira Júnior, é “uma indecência” investir em autódromos públicos sendo q…. […]

  5. Mas que se pese que o Autódromo José Carlos Pace, mais conhecido como Autódromo de Interlagos, é um equipamento público que dá LUCRO. Teoricamente não uma praça onde se investe dinheiro público.

  6. Caramba! O cara faz um artigo abordando um assunto tão importante e não cita o autodromo de Curitiba! E particular e , acho eu , o segundo mais usado do Brasil . Ótimo exemplo de excelente autodromo totalmente tocado sem nada de dinheiro publico. Algo contra o pessoal do AIC ?

  7. Parabéns pela abordagem do tema. Num sistema corrompido, não há solução que perdure, enquanto existir a fonte da corrupção. A canalhada que domina o país, não deixa que nada funcione como deveria, pois seus interesses estarão sempre à frente. Utópico PENSAR num automobilismo organizado, num país onde se rouba até na merenda escolar! O empresário que “vencerá” a licitação – talvez seja mais próprio usar os verbos “ganhar” ou “comprar” – será sempre aquele que financiou a campanha do desclassificado eleito. A “Primavera Árabe” que estamos vivenciando neste “Outono Tupiniquim”, talvez seja o início de uma nova era, que nos permitirá SONHAR com um país mais decente e organizado, até mesmo no automobilismo.

  8. Concordo com vc quando fala de politica e autodromos…
    Mas!!!! O futebol tem politicos tomando conta de estádios e a coisa anda.E, em outras praticas também…Se são mal administradas como os autodromos não sei!!!
    Só sei de uma coisa e voltando a concordar com teor dessa matéria e deixando aqui uma proposta…
    Se! os Governos Federal e Estadual privatisam estradas e rodovias,á troco de um dindim!! Por que não acabar com a mordomia dentro dos autodromos e privatiza-los também????
    Bom a resposta a gente já sabe desde criancinha né não!!!!
    Estradas são privatizadas para beneficiar sempre algum grupo ligado a governos e ou fianciamento de campanhas…As “estradas” são sempre construidas com dinheiro publico !!Esses governos são mágicos mesmo, roubam da população, depois deixam ser roubados e ainda falam amém…
    Mas entre sucatear lentamente o nosso automobilismo e privatizar as praças “”ainda existentes”” prefiro a privatização..
    Seria benéfico pelo menos em duas coisas… Cortariam o dedo grande da CBA e Faus em cima das taxas que cobram dos pilotos e equipes…
    E,, Fatalmente seriam tirados de cena os aproveitadores e ‘promotores’ que visam apenas uma graninha em algum evento anual…
    Só pra completar…Essas nossas praças hoje estão recebendo muito mais eventos particulares entre carros e motos do que propriamente gente capacitada pra pilotar carros de alta capacidade esportiva,, sem a menor capacidade ou noção do que estão fazendo….
    Num dia qualquer,á uns dois anos estava conversando com um piloto expert,, sobre esses pilotos que aparecem recebem umas aulinhas de 30 40 minutos e saem acelerando seus carrões…
    Ele disse que em média um piloto é passageiro de seu carro, em situações de emergencia 3 a 4 % do espaço percorrido a cada volta…Quer dizer que nunca um piloto está cem por cento no controle de seu carro.. Essas pessoas que veem aos autodromos pilotando porsches, ferraris e outras marcas veloses chegam a ficar no controle de seu carro por apenas 10 a 15 por cento do tempo de cada volta…
    Quer dizer que os riscos são enormes, só que os organizadores aparelham os circuitos como á uma corrida normal onde todos tem pelo menos uma profunda noção do que fazer em emergencias…Só que quem está atrás do volante não tem nem idéia do que um carro pode fazer quando desgovernado. Ainda mais esses bólidos de 450, 500, 600 cavalos..
    Até o dia em que esses eventos derem uma caca daquelas mesmo, coisa que já aconteceu não uma mas várias vezes no templo…E o pior ainda é que quando as avarias são sérias colocam o carro na plataforma devidamente coberto, esperam uma madrugada qualquer e depositam os restos em alguma esquina ou saidas de estradas. Ai chamam resgate, seguro, e coisa e tal.. Quer dizer que nessas o promotor é culpado por deixar gente sem condições acelerar á vontade,e depois ainda enfia no proprietário do carrão que virou caco, o tal golpe do seguro….Disso também tá cheio..Essas maracutáias todas com privatizações bem feitas e elaboradas poderiam acabar…
    Hoje infelismente quando se fala em governo e governantes, em todas as esferas. Já sabemos que de um jeito ou de outro seremos roubados de alguma forma por eles…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here