dm18012009_aurelio1_maio_2007-8vn1Quando o Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck estiver em plenas atividades de sua primeira etapa de 2009, na cidade gaúcha de Guaporé no dia 8 de março, todas as emoções estarão voltadas para celebrar a memória de Aurélio Batista Félix (foto), falecido em março do ano passado justamente após a prova de Guaporé. Certamente, as homenagens serão muitas para um homem que soube construir uma obra e deixar uma marca ímpar no automobilismo brasileiro.

Ele não era uma unanimidade no que se refere ao seu temperamento. Muitas são as passagens em que o promotor, no propósito de colocar os interesses de seu evento em primeiro lugar, “comprou” brigas. Mas esse mesmo modo de agir fez com que ele angariasse admiração e respeito – veneração até – durante uma trajetória de 49 anos, muitos dos quais dedicados a transformar em realidade o sonho de criar um campeonato de corridas para caminhões. Mesmo aqueles que conheceram o Aurélio meio irado unem suas vozes ao coro único de reconhecimento pelo trabalho apaixonado e dedicado. De tão intenso esse envolvimento, com reflexos claros em sua própria saúde, este brasileiro nascido na cidade paulista de Santos, em 24 de abril de 1958, transformou a Fórmula Truck em um certamente campeão na popularidade e verdadeiramente promoveu o confronto entre marcas.

Fosse um filho da classe média brasileira, com acesso aos estudos e formação acadêmica, Aurélio poderia ter sido, dado o seu perfil, um desses executivos de alcance mundial, que têm as mãos sobre o mundo como se fosse um tabuleiro de xadrez, capaz de coordenar milhões de pessoas e instalações, espalhadas pelo mundo, a partir de seus lances geniais. Mas quiseram as circunstâncias que ele tivesse de enfrentar a realidade da vida – dura vida! – muito cedo. Não havia uma única ocasião em que Aurélio recordasse daqueles tempos sem se emocionar. Filho do caminhoneiro Reinaldo Batista Félix, Aurélio assumiu o comando do caminhão, aos 16 anos, para substituir o pai, sem condições de trabalhar em razão de um derrame, no sustento da família. Foi uma fase duríssima, mas nem isso impediu que se tornasse um gigante em suas realizações e na força de trabalho. Seguramente a energia despendida por tantos anos faltou-lhe no momento crucial, enlutando o automobilismo brasileiro.

Aurélio precisou ser hospitalizado no dia 2 de março, no Hospital São Vicente, em Passo Fundo (RS), depois de passar mal no final da etapa de abertura do Brasileiro de Fórmula Truck em Guaporé, na Serra Gaúcha, sendo socorrido de imediato pelo médico da Fórmula Truck, Dr. Daniel de Moraes. O infarto exigiu, no mesmo dia, uma cirurgia de desobstrução coronariana. Não era uma novidade para Aurélio, que já sofrera outros infartos anteriormente. Entretanto, na quarta-feira, 5, quando já estava se recuperando e andando pelo hospital, sofreu outro infarto e hemorragia estomacal, falecendo por volta das 18h00. Velado e enterrado no Memorial Necrópole Ecumênica de Santos, suas cerimônias fúnebres reuniram milhares de pessoas.

Passado o impacto, porém, está claro que sua obra foi tão sólida e sustentada que a categoria caminha, mesmo sem o seu criador para lá e para cá, com sua moto, coordenando todos os aspectos do evento. Se para uns ele era centralizador, para outro se tratava de um realizador totalmente focado na sua criação. Independentemente do adjetivo, Aurélio montou o campeonato com características ímpares. Se no passado poderia parecia loucura fazer um campeonato com caminhões de corridas, mais surpreendente ainda foi o que adveio a seguir. Aquela reunião de caminhoneiros entusiasmados se transformou em um campeonato nacional fortemente competitivo, reunindo pilotos nascidos na própria categoria com outros credenciados por competições diversas, no Brasil e no exterior. (A segunda e última parte desta matéria será publicada em post seguinte)

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Ao alto, no comando de sue evento (Foto Vinícius Nunes); acima, na etapa de Guaporé no ano passado, pouco antes de falecer (Foto Orlei Silva)

Matéria editada e atualizada a partir da matéria original, de Américo Teixeira Jr,, publicada na Motorsport Brasil nº 29 (Março/Maio de 2008)

3 COMENTÁRIOS

  1. Hola: estamos desarrollando unos potenciadores de motores y economizadores de combustibles, los hemos probado con exito rotundo en camiones y maquinarias en general, pero nos interesaria hacerlos chequear si es que el reglamento lo permite en algun camion de competiicion, el hecho es que al ser del interior, no sabemos con quien hablar. ¿nos pueden ayudar?
    Nuestro blog: http://www.turboecogreen.blogspot.com
    [email protected]
    Muchas gracias
    Rodolfo Bruno

  2. CORREÇÃO DO POST ANTERIOR:
    Um dia, em viagem de serviço, passei pela “comitiva” da Fórmula Truck e parei para ver os carros estacionados em um posto de gasolina, próximo a Sete Lagoas, MG. Curioso me aproximei dos caminhões, lamentando que meu filho- então com oito anos de idade e fã dos caminhões do Aurélio, inclusive do próprio – não estivesse ali comigo. Da borracharia do posto veio um senhor e puxou prosa, perguntou se eu gostava de corridas e conversamos por uns minutos. Falei do meu filho e aquele senhor simpaticíssimo entrou no baú da “comitiva” e e me deu um poster autografado ali na hora e eu, agradecido trouxe de presente para o meu garoto, que logo percebeu a minha mancada: quem me deu e autografou o poster foi o próprio Aurélio!
    Uma pessoa, mesmo que em um contato rápido, deixou uma imagem de simpatia e – concordo com você – de respeito por quem gosta de esporte a motor! Grande Aurélio!!!
    Nota: o poster continua como um troféu no quarto do garoto, que hoje já está na faculdade.

  3. Um dia, em viagem de serviço, passei pela “comitiva” da Fórmula Truck e parei para ver os carros estacionados em um posto de gasolina, próximo a Sete Lagoas, MG, e, curioso me aproximei dos caminhões, lamentando meu filho- então com oito anos de idade e fã dos caminhões do Aurélio, inclusive do próprio – não estivesse ali comigo. Da borracharia do posto veio um senhor e puxou prosa, perguntou se eu gostava de corridas e conersamos por uns minutos. Falei do meu filho e aquele senhor simpaticíssimo entrou no baú da “comitiva” e eu, agradecido trouxe de presente para o meu garoto, que logo percebeu a minha mancada: que me deu e autografou o poster foi o próprio Aurélio!
    Uma pessoa, mesmo que em um contato rápido, deixou uma imagem de simpatia e – concordo com você – de respeito por quem gosta de esporte a motor! Grande Aurélio!!!

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