Por Americo Teixeira Jr. – O Grande Prêmio do Japão, a 16ª etapa do Mundial de Fórmula 1 realizada hoje no circuito de Suzuka, deu contornos ainda mais intensos para a decisão do título. Embora o 2º lugar na prova tenha permitido ao australiano Mark Webber, da Red Bull Racing, ampliar um pouco mais a sua liderança na pontuação, o que se vê agora é um empate numérico na vice-liderança entre o vencedor da prova, o alemão Sebastian Vettel (Red Bull Racing) e o espanhol Fernando Alonso (Scuderia Ferrari), o 3º após as vitórias em Monza e Cingapura.
Diferentemente do que aconteceu em provas passadas, dessa vez Vettel ratificou a supremacia demonstrada nos treinos livres e classificação. Mas é fruto diretamente de sua inconstância na temporada o fato de estar, no desempate, em 3º na classificação, pois soma três vitórias contra quatro de Alonso, mesmo número de Webber.
Faltando as corridas da Coréia do Sul, Brasil e Abu Dhabi, estão em jogo ainda 75 pontos e há mais pilotos na briga pelo título. Pelo menos matematicamente falando, a dupla inglesa da McLaren – o atual campeão mundial Jenson Button e Lewis Hamilton – também está na briga. Acidentando-se ainda na primeira curva na etapa japonesa, Felipe Massa está agora, oficialmente, fora da disputa pelo título. Na prática, já estava há algum tempo, mas a matemática ainda depunha a seu favor.
Há, agora, uma pressão enorme sobre Christian Horner, o chefe da Red Bull Racing. É certo que a presença de Alonso na vice-liderança é incômoda. Entretanto, mais incômoda ainda é a possibilidade de haver estragos surgidos da disputa direta entre Webber e Vettel. Eles já perderam corridas praticamente ganhas, já se “estapearam” na pista e só não estão mais comodamente posicionados na pontuação por conta de suas próprias ações. Em situação normal, é praticamente impossível o título sair das mãos dos pilotos da Red Bull Racing, mas a temporada já mostrou que não é possível apostar cegamente nisso.
Assim, salvo uma postura bem equilibrada de ambos nas provas finais, Alonso ou mesmo a dupla da McLaren pode ser o “Prost” da história, diante de “Piquet” e “Mansell”. Essa comparação remonta a temporada de 1986. O confronto direto entre Nelson Piquet e Nigel Mansell foi tão intenso na Williams que ambos conseguiram roubar o título um do outro e o campeão foi justamente Alain Prost, que com McLaren vinha, por assim dizer, comboiando os pilotos de Frank Williams.
Vale dizer que entre Piquet e Mansell havia uma guerra interna declarada, o que não ocorres com os aparentemente mais afáveis Webber e Vettel, mas não custa lembrar que os nervos se exacerbam quando da aproximação de uma decisão importante como essa. E Alonso, que de bobo não tem nada, só está de olho, conquistando bons resultados e à espreita. É claro que está nessa posição também por força do ato imoral de Hockenheim, mas nada como a chance de título para jogar para debaixo do tapete coisas lá não muito boas de ser lembradas.

