Por Americo Teixeira Jr. – A falta de patrocínio é apontada como a grande vilã que impede a formação de novos talentos no automobilismo. Mas há um outro vilão, de intensidade igualmente alarmante, que costuma atingir até quem conseguiu superar essa obstáculo crítico do orçamento, que é o perfil psicológico destruído que desampara muitos pilotos. Velozes e dotados do oxigênio financeiro para suas carreiras, alguns deles são de tal maneira vulneráveis às pressões que deixam escapar todas as oportunidades e ficam relegados ao grupo dos derrotados.
Vida de piloto não é fácil, independentemente das facilidades que tenha tido ao seu dispor para atingir o objetivo traçado. Acontece que, em alguns casos, os atalhos são tão grandes que a formação do homem, do cidadão, do membro de uma sociedade se perde pelo caminho, relegada ao último plano diante da meta de formar um piloto.
Se for feita uma comparação entre o piloto que esteve envolvido com todo o processo e aquele que teve “carregadores de capacete” para facilitar sua vida, o risco de o primeiro sucumbir a uma forte pressão é menor. Ninguém é de ferro e pressão em demasia derruba qualquer um, mas a “casca” que a vida fixa na pele de cada um é de espessura diferente, ao mesmo nível da formação familiar e das dificuldades enfrentadas.
Bobagem achar que o bom piloto é só aquele que sofre. Os tempos de Nelson Piquet e Roberto Moreno passando frio, dormindo em carros velhos nas garagens de autódromos, de maneira geral, são coisas do passado. É importante dotar o piloto das facilidades que o tornarão mais apto a galgar os degraus necessários. Pode ser de forma planejada ou não, e quase sempre é aquela mania que começa em casa, de pai, de querer oferecer o máximo que pode para o filho, nem que seja se deitando sobre as pedras do caminho para que ele possa transitar em um terreno menos acidentado.
Mas é de capital importância não esquecer de formar o cidadão, expô-lo ao mundo e não isolá-lo numa redoma de vidro. Munir o jovem piloto de ferramentas, sim; incutir em sua cabeça que é um “rei” e incapacitá-lo para a vida, não. Este texto não tem endereçamento direto a qualquer piloto. Se o fosse, o nome estaria aqui. É apenas uma reflexão sobre os acidentes de hoje, cuja origem pode estar bem distante, em aconchegantes terras natais, e não necessariamente nas categorias de acesso. A crítica pontuada pode estar, da mesma forma, negligenciando um problema que pode ser crônico. Não é o caso de se tratar um ferida visível, mas um “cancro” escondido nas mais invisíveis entranhas do ser piloto e do ser cidadão.
PERFEITO!
A preparação psicológica é parte fundamental para um bom desempenho em qualquer categoria desse esporte. Parabéns pelo texto Américo.
Perfeito Américo.
Eu apenas acresceria um alerta aos pais que acabam “enchendo demais” a bola do garoto.
É evidente que incentivo é necessário, mas pais e mães têm de prestar muita atenção para que o apoio não seja confundido com excesso de elogios, o que fatalmente transformará o hoje hoje garoto num rapaz que passa a se achar o verdadeiro “rei da cocada preta”, o caminho mais curto para o insucesso.
Claro sem mencionar nomes, mas fazer como determinados pais fizeram no passado, deixando de falar com o filho durante toda a semana posterior a uma “não vitória”, também torna bastante curto o caminho para o insucesso.
É preciso, portanto, saber dosar apoio, elogios e críticas se o ,objetivo é mesmo de ter um piloto de sucesso na família.