O Autódromo de Campo Grande, que sediou as provas da Stock Car no dia 13 de setembro, necessita de as falto novo (Foto fornecida por Vicar)
O Autódromo de Campo Grande, que sediou as provas da Stock Car no dia 13 de setembro, necessita de asfalto novo (Fotos Duda Bairros/Fernanda Freixosa/Vicar)

Por Américo Teixeira Junior – Nada é mais contraditório do que um autódromo como bem público. De um lado está o automobilismo, que é um esporte de elite, com um número pequeno de participantes e dirigido pela iniciativa privada. De outro está o espaço público, mantido com impostos de todos, mas paradoxalmente para uso de uma minoria.
Essa incoerência faz com que o automobilismo esteja unbilicalmente dependente dos poderes públicos, numa convivência que, em muitos casos, é uma afronta ao cidadão local. Também enfraquece o esporte, pois o mantém numa espécie de zona de conforto e o condiciona ao intrincado meio político.

O automobilismo é um negócio e no Brasil não é diferente. Gera emprego, desenvolve tecnologia e arrecada impostos. Mas se é de fato um setor forte, tem necessariamente de caminhar pela próprias pernas e de forma independente. Isso passa pela responsabilidade de ter suas próprias praças esportivas.

Não há argumento que justifique um autódromo na mão do poder público, cujo dever é prover sua população de estrutura básica. Câmara municipal alguma, em qualquer canto do país, pode aprovar a construção de um autódromo em lugar de parques públicos, postos de saúde, escolas e demais estruturas que atendam sua população.

Mas já que temos diversos autódromos nessa situação, cada administrador público tem de tomar uma decisão corajosa. Ou administra a praça esportiva de forma profissional, com fomento do esporte e ganhos para fins essenciais ou assume a incompetência e/ou desinteresse e passa para a iniciativa privada, por meio dos instrumentos legais e salvaguardando sua destinação de origem.

O que não pode é essa excrescência do lucro ser privado, do prejuízo ser público, do público travestido de privado e do privado travestido de público.

Autódromo de Brasília: Exemplo clássico de como o poder público gesta mal um autódromo (Foto fornecida por Governo DF)
Autódromo de Brasília: Exemplo de como o poder público pode ser nocivo para o esporte a motor (Foto fornecida por Governo DF)

4 COMENTÁRIOS

  1. concordo plenamente com o comentário e ainda cito outro exemplo que são os Estádios de Futebol , onde foram gastos Milhões de dinheiro Publico e que se ainda fossem usados …. poderiamos até cobrar um ingresso a preço acessivel a população , mas voltando ao Automobilismo a GANANCIA privada e da CBA , esse binômio noscivo é o que mais me preocupa , poderiamos ter autodromos (poucos) modernos, seguros e PRIVADOS .

  2. Nesse ponto, pensamos da mesma forma.

    Acrescento que para viabilizar o empreendimento – e o próprio esporte – é preciso que o automobilismo em todas as suas formas seja competitivo e dessa forma, um espetáculo que faça sentido para o público.

    Só o público, participando, comprando ingressos e com seu comparecimento pode realmente atrair patrocinadores de peso. Isso geraria um círculo virtuoso para o esporte.

    Muito precisa mudar.

  3. 2015 entra pra história do Autódromo de Brasília como um ano perdido, o que poderia ser histórico com a Indy correndo aqui num autódromo reformado virou o maior mico por causa de políticagem e não se sabe quando será reaberto se é que vão reabrir.

  4. Um contraponto entre o público e o privado: No site dos Nobres do Grid podemos comparar o estado dos autódromos nas séries “Nossos Autódromos (Raio X), feita entre 2009 e 2011 e na Serie “Raio X dos Autódromos do Brasil”, que está sendo feita agora, entre 2015/2016. Curitiba é um exemplo de que, bem gerido, um autódromo “opera no azul”. Campo Grande, que é muito bonito, ficou praticamente 1 ano abandonado por razões políticas.

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