Por Americo Teixeira Jr. – Quando o alemão Sebastian Vettel recebeu a bandeirada de chegada como vencedor do Grande Prêmio de Abu Dhabi, no último domingo, estava muito mais do que se tornando o mais jovem campeão mundial da categoria criada em 1950. Aos 23 anos, seu feito carimbou a palavra Justiça numa decisão que poderia ter tomado outros caminhos. Fez-se justiça porque venceu o talento, a competência e a esportividade, ingredientes que também fizeram da Red Bull Racing a campeã dos Construtores.
Mesmo com a vitória em Interlagos, uma semana antes, Vettel não dispunha das principais ferramentas ao desembarcar no Emirados Árabes Unidos. Seus 231 pontos lhe conferiam a 3ª colocação no campeonato, com distância de 15 pontos para o líder de então, o espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, e sete de desvantagem para o australiano Mark Webber, o companheiro de equipe. Só se via à frente de Lewis Hamilton, o inglês da McLaren que figurava na relação de candidatos ao título na rodada final, unicamente amparado pela matemática.
Conquistando a 10ª pole position no ano e a sua vitória de número dez na carreira (foram cinco em 2010), Vettel tratou de cumprir o seu papel e deixou atrás de si um Webber apático e um Alonso procurando culpados para a sua falta de condições de fazer frente ao alemão. Aliás, tanto o bicampeão da Ferrari quanto o australiano reuniram méritos para chegar ao título, mas em qualquer uma das hipóteses o brilho não seria o mesmo.
Embora cumprindo uma temporada mais consistente e de reunir muito mais experiência do que Vettel, Webber se apequenou no momento em que precisava empreender o ataque final. Além disso, apesar da enorme eficiência que lhe permitiu lutar pelo título até a última prova, não conseguiu tirar do companheiro de equipe a condição de protagonista na demonstração de grande talento do ano.
Já Fernando Alonso foi fundamental na tarefa de recolocar a Ferrari na disputa pelo título, principalmente na travessia de uma fase do campeonato em que a equipe era considerada a derrotada inconteste. Mas é verdade, também, que seu eventual título seria menor, independentemente de ser considerado por muitos o melhor piloto da atualidade, setivesse de contar com os sete pontos acumulados na Alemanha, fruto da vergonhosa troca de posições, imposta pelo chefe Stefano Domenicali, tirando do brasileiro Felipe Massa uma justa vitória na pista.
Mas ao invés da consistência, venceu o talento nato e esfuziante. Em lugar das manobras anti-desportivas da Ferrari, venceu a esportividade da Red Bull Racing. No final de tudo, fez-se justiça e o esporte, pelo menos nessa temporada, saiu-se fortalecido na Fórmula 1.

Muito bem feita a reportagem Amerérico. Parabéns ao Vettel e a RBR! Abrço!