José Carlos Pace: 35 anos de saudade!

José Carlos Pace Matéria atualizada em 18 de março de 2012

Este domingo, 18 de março de 2012, marca o 35º aniversário do falecimento do piloto de Fórmula 1 José Carlos Pace. O “Campeão Mundial sem Título”, como destacou o jornalista Luiz Carlos Lima em seu livro biográfico, faleceu no momento mais destacado de sua carreira, quando figurava em todas as listas como provável campeão mundial de 1977 com o Brabham Alfa BT45 da equipe pertencente a Bernie Ecclestone.

E foi justamente naquele ano, no dia 18 de março, que um curto vôo, em São Paulo, terminou em tragédia para ele, o competidor brasileiro Marivaldo Fernandes e o piloto da aeronave, Roberto Carlos de Oliveira.

Não tive a honra de conviver com Carlos Pace. Sequer o vi uma única vez. Em compensação, amparado pelo talento de Marcus Zamponi, pude dar grandes espaços para esse grande brasileiro das pistas. Moco foi o único piloto a merecer duas capas na Motorsport Brasil, a revista oficial da Confederação Brasileira de Automobilismo da qual fui o editor desde o seu projeto até a edição lançada em 15 de março, a de número 32. As duas matérias especiais foram assinadas pelo Zampa e, delas, resgatei algumas opiniões de grandes nomes do nosso esporte que tiveram o privilégio de conhecer José Carlos Pace.

Marcus Zamponi – “Relembrar este nome é revirar as entranhas do passado e deparar-se com o que sempre existiu de mais coerente quanto o tema é arrojo, valentia, admiração. O pranto de homens duros como Bernie Ecclestone e Frank Williams, quando comunicados de sua morte, talvez explique“.

Sérgio Arouche – “Não sei de onde tiraram, mas ‘Moco’, pelo menos na época aqui em São Paulo, significava ‘meleca’. Era bem esculhambado, não estava nem aí. Mas daí a tirar meleca… sei lá. Apelidaram e ficou“.

Anísio Campos – “Era gordinho, usava uma camisa listrada, me marcou pela docilidade”. Era só um teste, ele correria com aquele DKW em uma prova de estreantes. Mandei que sentasse ao meu lado e baixei a bota. Dei algumas voltas e ele não disse uma palavra. Aí, passei-lhe o volante. Sem medo, pegou a mão bem rápido, ficou a vontade, traçado perfeito, freava no limite. O garoto levava jeito. Era naturalmente rápido. Podia ficar bom, muito bom”.

Luiz Pereira Bueno – “O limite dele era muito alto e o Moco era muito arrojado. Era o supra-sumo do piloto. Que eu lembre jamais me entregou o carro danificado nem quebrou sem justificativa. Era duro acompanhá-lo”.

Francisco Lameirão – “Conheci o Moco quando trabalhei para a equipe Willys. Ficou claro que ele era um talento nato, excepcional. Sem dúvida, vi muitos outros de perto, mas guiar como ele, quase não me lembro”.

Chico Rosa – “Moco era burro? Eu não diria isso! Era desligado, tinha um mundo dele, todo particular. Era um piloto supremo, mas que jamais seria um grande profissional como o Emerson ou o Jackie Stewart. O foco dele não era somente corridas de automóvel, como o dos outros. Era na verdade um grande bonachão, um grande sujeito. O Moco era bonitão, então, com a fama ficou um bocado namorador”.

Bel Camilo – “Eu era muito moleque e não me esqueço de ver o carro do Moco. Não tiro da memória aquele capacete com a pintura de uma seta, apontada para baixo. Ele era um bravo e a meninada o adorava”.

Luís Carlos Secco – “O Moco era completamente diferente do Emerson. Era uma emoção só, às vezes quase incontrolável. Sua personalidade era complicada, mas ele era afável, até dócil e gentil no trato. Os europeus gostaram daquele estilo, que era novo, e ficou claro que iria parar na Fórmula 1, depois do título na Fórmula 3. Sempre que eu via o Ayrton Senna eu me lembrava dele. Tinham muito em comum, eram inebriados pela velocidade e extremamente habilidosos em qualquer carro. Só não aposto que ele seria também um campeão mundial na Fórmula 1 devido exatamente a esta faceta emocional. Não sei se ele seria capaz de administrar as pressões que a disputa de um título na Fórmula 1 exige”.

Washington Bezerra – “Chegar à Fórmula 1 para o Moco era só uma questão de tempo. Ele foi grande, extraordinariamente amigo e, na minha ótica, o segundo maior piloto do Brasil, depois do Ayrton Senna. Mesmo gordinho, ele venceu sua primeira corrida de kart, na chuva, em uma pista na Base Aérea de Cumbica. Estava na cara que ele ia vingar. Eu estava lá e não podia apostar em nada mais. Continuou sempre o mesmo. Já na Fórmula 1, uma estrela, me viu na rua, debaixo de chuva esperando um táxi. Mudou o caminho e, fazendo festa, me levou onde eu queria ir. Ele jamais mudou, a fama não o afetou”.

Lito Cavalcanti – “O Moco era um brasileiro simbólico, na pilotagem era um macho, um latino autêntico. Enfrentou dificuldades e dúvidas até chegar lá. Por isso foi um mestre em superar desafios e esta é uma identificação imediata com nosso povo. Esta idolatria não me surpreende. Na mesma medida não perdeu a doçura, o encantamento. Eu estava na África do Sul, em 1973, na companhia do jornalista Chico Júnior. Tínhamos que voltar a Johanesburgo para enviar nossas matérias. Estávamos a pé, buscando uma carona. O Moco nos viu, perguntou o que estávamos fazendo e não pensou duas vezes. Saltou de seu próprio carro e nos emprestou, voltando ele mesmo a pé ao autódromo. Foi incrível, imagino de que maneira ele cativou a Fórmula 1.


VIDEO TRIBUTO JOSÉ CARLOS PACE


Galeria José Carlos Pace


8 Comments

  1. Marcos 25 de novembro de 2012 at 13:42

    O Moco foi um piloto de talento natural absurdo, quase igual do Ayrton ele estava indo muito bem na Brabham, mesmo com os motores boxer 12 cilindros Alfa, estes motores eram muito potentes, ganhavam em potência até dos Ferrari V12, mas por serem largos atrapalhavam a aerodinâmica, além de beberem muito. Mesmo assim o Moco foi relativamente bem nas 3 primeiras corridas de 1977, teve azar em 2 corridas, mas os tempos dele de tanque cheio mostrava ser um carro muito bem ajustado, mas acredito que o motor Alfa era o vilão, a Alfa atravessava uma forte crise financeira, seu investimento nos motores era inferior aos bons motores Fiat (Ferrari) e aos pouco potentes, porém leves e econômicos Ford, Os Alfa além do alto peso, do enorme tamanho e do consumo de 40 litros a mais que o Ford e 15 litros a mais que o Ferrari, liquidavam com qualquer chassis, a prova disto é que a Brabham uns 2 anos depois exigiu da Alfa um V12 no lugar do Boxer 12 cilindros, para beneficiar a aerodinâmica, mais tarde a a Brabham cansou dos Alfa, agora V12, e passou a usar o V8 Ford e os Brabham começaram a ficar competitivo, com o Piquet. Vi o Niki Lauda, o Piquet e o Moco andando de Brabham Alfa e o Moco foi o que mais andou dos 3, mostrando o seu talento, o Piquet só fez fiasco com o Brabham Alfa. O Niki Lauda só andou bem usando uma ventoinha na traseira, o que ocasionou a sua desclassificação.

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  2. MELO 1 de novembro de 2012 at 17:53

    HISTÓRIAS DO ESPORTE BRASILEIRO DEVERIA SER OBRIGATÓRIO NAS ESCOLAS PUBLICAS DO BRASIL PARA QUE ALUNOS SAIBAM DA EXISTENCIA DESSES BRASILEIROS QUE FIZERAM BONITO LÁ FORA .

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  3. SIGFRID 1 de novembro de 2012 at 10:08

    prezado Luiz Carlos Lima, estava folhando o seu livro de José Carlos Pace, e tive a idéia de procurá-lo na internet, onde andas? se não se lembra de mim, meu nome consta como colaborador do seu livro sobre Nelson Piquet. Espero q ainda esteja envolvido com automobilismo,

    abração,

    SIGFRID HETTFLEISCH FILHO
    FONE : 7808-2742

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  4. carla de oliveira 24 de março de 2012 at 23:12

    Peça ao referido jornalista que corrija e pesquise melhor as fontes antes de publicar tamanha asneira “E foi justamente naquele ano, no dia 18 de março, que um curto vôo, em São Paulo, terminou em tragédia para ele, o competidor brasileiro Marivaldo Fernandes e o piloto da aeronave, Roberto Carlos de Oliveira.” Eu sou a primogênita do senhor Carlos Roberto de Oliveira (além de tudo ele ainda errou o nome do meu pai) e ele segundo testemunhas e a perícia da aeronáutica estava como passageiro assim como o senhor Jose Carlos Pace. O piloto era o Marivaldo Fernandes também piloto de Fórmula 1, que havia derrubado outro avião pequeno desses um mês antes do acidente. Meu pai foi convidado por ser um ótimo piloto, porém, ele foi escalado para trazer o avião na volta da viagem que terminou tragicamente mas foi falha humana do senhor Marivaldo Fernandes como está provado na justiça. Isso é crime de difamação e vocês podem ser processados.

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  5. Flávio 16 de março de 2011 at 16:03

    A maior emoção da minha vida. Pace em 1o. e Emerson em 2o. Em 1975 eu estava lá, sentado bem em frente aos boxes e à cada volta o público ia saudando a passagem do Pace tal qual as ondas dos estádios atualmente. Inesquecível Pace! Que felicidade a minha de estar lá naquele domingo!
    PACE, o Moco:- CAMPEÃO!

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  6. Pedro Rodrigo 25 de março de 2009 at 20:03

    Não o conheci pessoalmente pois nem pensava em nascer. Porem meu pai me countou sua historia de superação e força de vontade para chegar até a F1, mesmo não tendo sido campeão mundial para nos é como fosse, pode ver até o Autodromo mais iportante do Brasil tem o seu nome, Esteja com Deus nosso Campeão.

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  7. 23 de março de 2009 at 11:40

    O Moco merece.
    Auto dia na casa de um amigo me emocionei. Um quadro de vidro, e dentro simplesmente a luva direita que o Pace ganhou o GP Brasil.
    Terça passada estive com o Luizinho, e a noite me ligou ditando um texto para lembrar o Pace em seu blog.
    http://luizpereirabueno.blogspot.com/

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  8. Leiva Filho 23 de março de 2009 at 1:35

    Que emoção maravilhosa ver essa matéria, a galeria e o vídeo em homenagem ao Moco. Que maneira maravilhosa de termimar o domingo. Muito obrigado Américo. Muito obrigado Grande e Inesquecível José Carlos Pace.

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