Um fracasso chamado Brasileiro de Endurance

Por Américo Teixeira Jr. – Dentre as medidas que têm marcado a gestão de Cleyton Pinteiro na presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o Brasileiro de Endurance se configura como um dos grandes problemas deste mandato iniciado em 16 de março de 2009. Além de ser usado no confronto político dos primeiros dias da auto-intitulada “Nova CBA”, o campeonato foi alvo de transferência de responsabilidade na temporada passada e, agora, mesmo assumido por profissionais da SRO Latin America, só teve até aqui uma única prova com apenas nove inscritos.

Diferentemente do que esse quadro parece supor, o formato de competição do Endurance favorece amplamente a participação de equipes e competidores. Em razão das diversas categorias, o Endurance tem a vocação de reunir carros de diversas origens e potências, todos no mesmo cenário. Se seu regulamento faculta a participação de carros de turismo de baixa potência, é ao mesmo tempo o palco ideal para o confronto entre os protótipos nacionais e os GT de alta performance.

Embora já existisse um Brasileiro de Endurance, cumpridor do seu papel, mesmo diante de dificuldades, a gestão Cleyton Pinteiro optou por alterar a forma de funcionamento. Até então conduzido por Antonio de Souza Filho, o campeonato de 2009 já estava iniciado (a prova 1000 km de São Paulo aconteceu em 25 de janeiro) e com calendário definido desde o final de 2008. Entretanto, tão logo assumiu o cargo, um documento assinado por Pinteiro e pelo presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN), Nestor Valduga, dava 24 horas de prazo para que o então promotor pagasse a taxa de R$ 160.000,00 para se manter à frente da competição.

Embora a ação fosse legalmente amparada pelo Estatuto da entidade, ficou a impressão de ser uma vingança de Valduga contra de Souza, que foi o braço direito do ex-presidente Paulo Scaglione. É importante destacar que Valduga ocupava o mesmo cargo na gestão Scaglione e foi exonerado pelo então presidente em outubro de 2008, apesar de sua permanência ser, na ocasião, defendida energicamente e justamente por de Souza, que era Diretor de Marketing da CBA.

Aparentemente resolvida a questão política, o efeito colateral foi o fato de o Brasileiro de Endurance ficar a deriva. Mesmo que o discurso inicial fosse outro, o que se viu foi a transferência de responsabilidade, por parte da CBA, para algumas federações, que tiveram se assumir a tarefa de realizar, de forma avulsa, as etapas.

O fracassado formato foi substituído pelo contrato entre a CBA e a SRO Latin America, a mesma empresa promotora do GT Brasil, que dessa forma passou a acumular também o Endurance. Sob nova direção e comando Francisco Barros, a primeira etapa foi disputada em Viamão (RS), no dia 18 de abril. Mas em que pese o resultado final da prova enumerar 23 carros, apenas nove estavam efetivamente inscritos no Brasileiro, visto que os demais alinharam para disputar a etapa conjunta do Gaúcho. A vitória na geral e na “categoria” Brasileiro foi da Ferrari 430 de Chico Longo e Daniel Serra.

Ansiava-se, em função dessa realidade, pela segunda etapa, marcada para 13 de junho em Londrina (PR), de modo que pudesse ser verificada uma evolução. Frustrou-se quem assim pensou, pois faltando quatro dias para a corrida foi emitido um comunicado anunciando o adiamento. Neste, Barros assim se pronunciou: “Estamos trabalhando para que o Endurance volte a ser como antes, um campeonato forte para quem gosta de automobilismo. Mas, para isso, precisamos de paciência, tempo e, também, corresponder os pedidos de quem é a alma do esporte, as equipes e os pilotos. Eles pediram, nós atendemos. Em poucos dias, promoveremos uma reunião com a CBA para reestruturar o calendário“.

A necessidade de reestruturação, de fato, existe e Barros parece falar o mesmo “idioma” de pilotos e equipes quando manifesta o seu desejo de fazer “um campeonato forte”. Diante disso, além de um futuro incerto e de muito trabalho pela frente, há uma verdade cristalina. A CBA cometeu um erro estratégico enorme em relação ao Endurance e, agora, Pinteiro e Valduga, apoiados pela SRO Latin America, terão de trabalhar muito para reverter esse quadro.

Nota da Redação

O Diário Motorsport tentou entrevistar o promotor Francisco Barros. Para tanto, após pedir (em 20.04) e receber permissão da assessoria (em 23.04) para fazê-lo, enviou dez perguntas por e-mail em 29.04. Passados mais de 30 dias sem retorno, as respostas foram cobradas em 09.06, igualmente sem manifestação por parte da assessoria até o fechamento desta matéria, às 23h20 de 22.06.

###

A primeira etapa do Brasileiro de Endurance 2010, disputada em conjunto com o Gaúcho da modalidade, teve nove carros inscritos (Foto Dudu Leal/MS2 Comunicação Integrada, Viamão, RS, 18.04.2010)

6 Comments

  1. JCFrancez 24 de junho de 2010 at 18:11

    O q dizer disso né amigo? Num país que vai eleger uma guerrilheira como presndente, sem experiencia administrativa nem politica, estes desaforos politicos e revanchismos dentro da CBA é até irônico…

    E nós que pensavamos que a CBA era a entidade responsável pelo fomento do automobilismo no Brasil…

    Q ilusão…

    Reply
    1. Américo Teixeira Jr. 24 de junho de 2010 at 18:29

      Gostaria de agradecer seu comentário, apenas esclarecendo que sou eleitor de D. Dilma para presidente do Brasil.

      Abraço grande!

      Reply
  2. nicodemo 23 de junho de 2010 at 21:25

    Olá Américo,

    E isso tudo não é mesmo uma barbaridade?
    E agora? Vamos é perder toda a temporada em razão da ineficiência dos trabalhos da tal empresa terceirizada pela CBA. “Empurrou com a barriga”, assim pode-se dizer da atuacão do órgão máximo do automobilismo nacional, a CBA, que deixou a Endurance como se ela não tivesse nem pai e nem mãe, tratando o Campeonato Brasileiro de Endurance como algo que caiu do caminhão. Aqui do racecarpress.com, da mesma forma que voce ai no “Diário”, também tentei entrar em contacto com a SRO Latin e não consegui. Acredito que o Brasileiro de Endurance dificilmente terá sequência. As tres próximas etapas que estavam homologadas para o certame são exageradamente onerosas para as equipes. Seis Horas de Curitiba, 1000KM do Velopark e Mil Milhas exigem muita “bala na agulha”, coisa que ninguém tem. Além disso a 6 Horas de Curitiba tem a data homologada (1.de agosto) coincidindo com a data da 3a.etapa do Gaucho de Endurance, marcada para o Velopark. E os gauchos já avisaram que darão preferência a seu próprio campeonato, mais confiável e garantido obedecerá todas as etapas programadas.
    E agora? Chamamos a polícia?
    PS – Toninho de Souza deveria pensar em organizar a “Mille Miglia”, só para autos Marcas. Estão lancando essa idéia por aqui, mas ninguém quer “segurar esse rojão”. Ahaha… abracos, amigo Américo.

    Reply
  3. Pingback: Cockpit Gaúcho » Blog Archive » Automobilismo brasileiro capenga

  4. Vinicius Nunes 23 de junho de 2010 at 15:03

    Só tenho duas perguntas:
    Vai ter Mil Milhas este ano?
    Vai ter os 500km de Interlagos?
    Pelo jeito, o GP Cidade de São Paulo será a única prova de longa duração em Interlagos!

    Reply
  5. Pingback: O poço sem fundo | Blog Victal

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *