dm_0205_stock_scibA rodada da Stock Car deste final de semana, no brasiliense Autódromo Internacional Nelson Piquet, foi também um desfile técnico com características específicas para cada uma das categorias que formam o evento. Nesse sentido, não é mera força de expressão afirmar que a Stock Júnior e a Copa Vicar são, nessa ordem, os degraus que deverão ser transpostos por todo piloto que objetivar a Stock Car. Debaixo das bolhas que cobrem os chassis tubulares, “pulsam corações” que liberam diferenciadas potências. Só mesmo quem andou nos três “corpos” sabe bem a necessidade de essas etapas técnicas serem cumpridas de maneira a não atropelar a formação dos pilotos.

Tendo estreado em 2009, o carro que está nas pistas utiliza a mais nova geração de chassis tubulares. O JL-G09 é um projeto e construção da JL Racing, em parceria com projetistas da Dallara, na Itália. O motor é um V8, padrão Nascar, de 480 cv. Na Copa Vicar, ex-Stock Light, o chassi é o mesmo que foi utilizado na principal até o ano passado, também impulsionado pro um motor V8. A diferença é que a cavalaria é mais “tranqüila”, com algo em torno de 350 cv.

Isso prova que a classe intermediária é passagem obrigatória para quem vem da Stock Júnior, uma espécie de “engatinhar” rumo ao grupo vanguardeiro. Utilizando um motor de 130 cv da marca Yamaha, os chassi tubulares da Stock Júnior foram adquiridos nos Estados Unidos pela JL Racing, de onde se originaram todos esses diferentes pacotes técnicos.

Uma história de 30 anos

Zeca Giaffone e Affonso Giaffone Jr.: or irmãos foram campeões da Stock Car e, através da história da categoria, tiveram e têm papéis importantes no crescimento da Stock Car (FOTO MIGUEL COSTA JR.)
Zeca Giaffone e Affonso Giaffone Jr.: or irmãos foram campeões da Stock Car e, através da história da categoria, tiveram e têm papéis importantes no crescimento da Stock Car (FOTO MIGUEL COSTA JR.)

Bonita, famosa e aparentemente milionária, a Stock Car reúne o que há de mais moderno no evento da Vicar. Esta temporada marca o início da quarta grande fase da categoria. A primeira teve como base o Chevrolet Opala, que imperou desde a estréia em 1979, por intermédio da General Motors, até a introdução dos modelos Omega no grid, em 1994. Essa troca ocorreu quando o publicitário Álvaro Fiocco respondia pelo Chevrolet Challenge, evento que reunia a categoria de turismo e a extinta Fórmula Chevrolet.

Valem destaques alguns fatos históricos que precisam, por justiça a seus artífices, ser lembrados e relembrados. A Stock correu um risco sério de simplesmente desaparecer logo durante a sua primeira fase, quando a General Motors deixou de promovê-la, no final de 1986. Foi quando Affonso Giaffone Júnior, então um dos principais pilotos da competição, assumiu a empreitada. Ele deixou momentaneamente o seu trabalho na empresa Continental, na época de propriedade da família Giaffone, e bancou do próprio bolso a promoção do campeonato no ano seguinte. No mesmo embalo, o chefe de equipe Washington Bezerra assumiu, em 1988, o compromisso de não deixá-la morrer.

Esse período do Omega foi mais curto pois, já sob o comando de Carlos Col, em 2000 os antigos motores dos Opala, os V6 da Chevrolet, passaram a equipar os chassis tubulares projetados pelo engenheiro argentino Edgardo Fernandez e construído pelo ex-campeão da Stock Car, Zeca Giaffone, na sua fábrica localizada no município de Cotia, na Grande São Paulo. Já no ano seguinte, em 2001, os V8 importados por Giaffone dos Estados Unidos passaram a dominar a cena.

Antes de se tomada a decisão que culminou no carro que vemos hoje, um protótipo chegou a ser testado no final de 2006 para ser introduzido nas pistas em 2008. Era um projeto conjunto entre os argentinos e a JL, que na época contava com o engenheiro Marcos Lameirão, hoje atuando na Inglaterra. Modificações de ordem técnica e de parceria lançaram novos olhares sobre o carro, que estreou apresentando alguns problemas ocasionados pela falta de testes em bom número.

Todo o esforço para colocar o carro novo na pista quase que passou despercebido, ficando mesmo, para muitos, somente a imagem dos capôs voadores da primeira corrida. Mas, como sempre acontece em projetos novos, bastaram alguns ajustes para que as atenções se voltassem para o foco principal, que o fato de um novo projeto estar na pista, alavancando um setor da economia que cresce aos poucos no Brasil, o da construção de carros de corrida.

FOTOS MIGUEL COSTA JR.

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