Aos 34 anos e ex-piloto da IndyCar, Raphael Matos defende a equipe Schin Racing Team (Fotos Vicar Media)
Aos 34 anos e ex-piloto da IndyCar, Raphael Matos defende a equipe Schin Racing Team (Fotos Vicar Media)

Por Américo Teixeira Junior – O piloto mineiro Raphael Matos, suspenso por dois anos das atividades do automobilismo brasileiro em razão de resultado positivo em exame antidoping, refirmou nesta sexta-feira a sua inocência e propósito de recorrer da decisão tomada pela STJD da Confederação Brasileira de Automobilismo.

O piloto da equipe de Carlos Alves lamentou o que chamou de “condenações rápidas” e revelou que trata de um tumor com “medicação disponível e autorizada nos Estados Unidos”.

Em tempo: Conheço Rafa Matos há anos e sei de qual berço ele veio. Profissional dedicado e responsável, tenho certeza de que nunca esteve envolvido com drogas. Acredito plenamente que suas explicações médicas são verdadeiras e, portanto, antevejo uma anulação dessa punição. Falhou, entretanto, em não solicitar isenção de uso terapêutico.

A íntegra do comunicado do piloto, distribuído pelo jornalista Rodrigo Gini, é a seguinte:

Miami, 18 de dezembro de 2015

À comunidade do automobilismo,

Nesta quinta-feira, fui surpreendido com a decisão, em primeira instância, do Tribunal de Justiça da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), punindo-me com dois anos de suspensão depois que exame antidoping feito na etapa de Curitiba da Stock Car revelou resultado adverso. Diante de condenações rápidas por parte de alguns meios de comunicação e de pessoas que comentam e afirmam sem consciência dos fatos, gostaria de fazer os devidos esclarecimentos, reafirmando minha confiança na justiça, na certeza de que recorrerei às devidas instâncias para demonstrar minha idoneidade e ausência de culpa.

Com 18 anos, tive diagnosticado um tumor no fêmur, que me fez passar por uma cirurgia e deixou cicatrizes como as fortes dores constantes – cheguei a participar de campeonatos de kart andando com uma muleta. Em 2006, os médicos identificaram outro tumor, desta vez no ombro e, por temerem que minha mobilidade fosse prejudicada, desaconselharam nova cirurgia, recomendando um tratamento alternativo, com uma medicação disponível e autorizada nos Estados Unidos.

Tenho toda a documentação e a licença terapêutica que me permite usar a substância encontrada no exame. Justamente por não ter interesse de empregá-la em competição, não solicitei o termo que me autorizaria a adotá-la nos campeonatos brasileiros. Além disso, tais substâncias não têm entrada e uso autorizados no Brasil a não ser por meio de sentença judicial, embora haja vários pacientes que dependem dela para tratamento.

Corro há 15 anos no automobilismo norte-americano, conhecido pelo rigor no respeito às regras. Sempre prezei pelo cuidado com a alimentação e a saúde para exercer minha profissão de forma eficiente. Sempre procurei honrar patrocinadores, apoiadores e fãs, que ao longo da minha carreira acreditaram em mim e me ajudaram a vencer títulos no Brasil e no exterior e chegar à Fórmula Indy, mantendo sua confiança quando decidi encarar o desafio de disputar o Brasileiro de Stock Car. Agradeço as manifestações de carinho daqueles que compreenderam que não houve qualquer intenção ou desejo de burlar regras. Estejam certos de que nada abalará minha vontade de fazer o que sei de melhor.

Raphael Matos

3 COMENTÁRIOS

  1. “Tenho toda a documentação e a licença terapêutica que me permite usar a substância encontrada no exame. Justamente por não ter interesse de empregá-la em competição, não solicitei o termo que me autorizaria a adotá-la nos campeonatos brasileiros.”

    Foi avisado diversas vezes nas reuniões sobre doping nos eventos da Vicar (e que muitos pilotos deixam de participar por preguiça) que se você precisa tomar uma substância proibida por ser um caso médico você têm que pedir a autorização. Têm muito piloto vacilando no doping por bobagem e depois fica essa maratona de explicações.

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