Eleição promete ser nervosa por tentativas de impugnação de ambas as partes

Por Américo Teixeira Junior

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Chegado o dia da eleição à presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o levantamento informal do Diário Motorsport aponta para vantagem do candidato Giovanni Guerra, apoiado pelo atual presidente Waldner Bernardo.

Na primeira sondagem, publicada em 29 de dezembro último, o presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Maranhão (FAEM) liderava com 11 votos. Nesta sexta-feira, 15, são 14. O salto foi impulsionado pelas adesões da Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF), Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) e Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina (FAUESC).

Por seu turno, na verificação feita o candidato oposicionista Milton Sperafico também avançou, mas não o suficiente para assumir a dianteira. Se antes registrava oito votos, passou a ter nove, incluindo a Federação de Automobilismo do Mato Grosso do Sul (FAMS).

Os acréscimos verificados ocorreram basicamente porque, no intervalo entre as duas sondagens, três federações recuperaram o direito a voto, mediante pagamento de débitos.

Naquela ocasião, a FASP foi a única a não manifestar preferência e seu presidente, José Aloizio Cardoso Bastos, foi procurado pelas duas chapas. Foram dias em que o voto paulista, dependendo do observador, parecia próximo de Guerra ou de Sperafico. A dúvida se dissipou na terça-feira, 12, quando reunião de clubes definiu o voto para o representante brasileiro eleito no FIA Karting.

Débitos e disputas

A FADF fez parte desse grupo dos sem direito a voto, mas com um complicador. Se no início da disputa parecia clara a opção do DF por Sperafico, o quadro mudou com a renúncia do então presidente Luiz Caland, que figurava na chapa do ex-piloto paranaense como candidato à primeira vice-presidência. Em seu lugar na federação assumiu Renato Constantino, piloto e dirigente muito ligado a Nelson Piquet, que manifestamente é apoiador de Guerra.

Apesar do novo posicionamento político, definido em assembleia no dia 23.12.2020, a FADF entrou 2021 sem direito a voto. Mas o novo grupo de comando pagou o que a entidade devia e esta reassumiu a condição de eleitora, com voto para Guerra.

A Federação de Automobilismo do Mato Grosso do Sul também iniciou o ano com pendências financeiras, o que fazia supor a liquidação do débito a tempo de seu presidente, Wagner Coin, depositar na urna o voto para Sperafico.

Entretanto, a entidade sul-mato-grossense entrou com uma liminar para votar sem realizar os pagamentos devidos. Os advogados da FAMS alegaram que “se encontra em débito com o réu [CBA], sendo que em razão da pandemia do COVID não conseguiu efetuar o pagamento da renegociação de dívida, pois não foram realizadas competições, cessando sua fonte de arrecadação“.

Apontou também que “em razão das dificuldades enfrentadas requereu nova renegociação da dívida, mas que a ré[CBA], visando afastar a participação da parte autora nas próximas eleições [grifo nosso], veio a negar tal pleito, não obstante ter deferido pleito similar para outras Federações, como a Mineira e a Paranaense, quebrando assim o princípio da isonomia“.

Tais argumentos foram totalmente rechaçados pela juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura, da 16ª Vara Cível, comarca da capital, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Além de reconhecer a validade do Estatuto da CBA quanto ao impedimento ao voto de filiadas em débito, observou que a FAMS já registrara débitos antes mesmo da pandemia, de sorte não haver relação entre o motivo alegado e a realidade como devedora. Alijada dessa opção, a federação sul-mato-grossense realizou pagamento na tarde da quarta-feira, 14.

Santa Catarina também regularizou sua situação financeira um dia antes da eleição, na condição de entidade presidida por Admir Gelsemino Chiesa e apoiadora de Giovanni Guerra. Mas os caminhos nessa direção só ficaram claros na terça-feira, 12, quando a desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJSC), impediu a realização da Assembleia Geral Extraordinária que propunha “discussão e revogação das deliberações tomadas na Assembleia Geral Extraordinária de 29/02/2020 e recondução do Sr. João Alfredo de Novaes ao cargo de Presidente da FAUESC“.

Cessaram-se, dessa forma, as tentativas do presidente afastado em estar presente nesta sexta-feira para votar em Sperafico. Pelo contrário, prevaleceu o presidente em exercício.

Mas se aparentemente a eleição está decidida em favor de Giovanni Guerra, o quadro ainda pode ser encarado como nebuloso, uma vez a pauta inicial será analisar impugnações. Se do lado da Situação houve o pedido de impugnação da chapa de Sperafico por conta da presença de Caland, a Oposição também fez a lição de casa.

O Diário Motorsport pôde saber que houve verificação de dados de cada entidade, como número de pilotos filiados, modalidades disputadas e eventos efetivamente realizados. Como dizia ontem Waldner Bernardo, “o dia promete ser longo”, referindo-se à assembleia que terá início às 15:00.


Capa/Destaque: Giovanni Guerra – Foto CBA

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