pedro-rodrigo-esq-e-antonio-de-souza-filho-foto-vinicius-nunesO promotor Antonio de Souza Filho (na foto, ao lado de seu braço direito, o filho Pedro Rodrigo) criticou veementemente a atitude da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), que lhe retirou na tarde desta quinta-feira, 19, o Campeonato Brasileiro de Endurance, sob a alegação de descumprimento de itens do Código Desportivo do Automobilismo (CDA). Foi, em verdade, o desfecho-relâmpago de um processo que começou ontem, quarta-feira, 18 de março, quando Souza foi intimado a pagar, no prazo de 24 horas, uma taxa de R$ 160.000,00 à CBA. Também foi alertado: em caso do “não cumprimento do acima exposto, será cancelado o direito de V. Sa. na promoção do referido evento“. Tais informações lhe foram passadas através do ofício 302/2009, “de ordem do presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Sr. Cleyton Tadeu Correia Pinteiro“, e assinado pelo presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional, Nestor Valduga.

Em resposta ao ofício da CBA, Antonio de Souza Filho enviou a seguinte correspondência para Nestor Valduga:

São Paulo, 19 de março de 2009

Ao

Presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional

Sr. Nestor Valduga

Prezado Senhor

Embora tenhamos uma convivência de oito anos, trabalhando em prol do automobilismo, vejo que ainda não me conhece. Sou um idealista e vou FAZER AUTOMOBILISMO até morrer, independentemente de posturas, ingerências ou determinações quaisquer. Você deve se lembrar que assumi a organização do “Campeonato Brasileiro de Endurance” porque o referido certame não tinha nenhum promotor e, por esse motivo e com o único propósito de FAZER AUTOMOBILISMO, resolvi enfrentar o grande desafio de levar este campeonato em frente.

Assim procedi, em primeiro lugar, porque faço com um grande prazer e minha história de vida no automobilismo, como você bem sabe, é assumir empreitadas desafiadoras. Em segundo lugar, abracei a categoria com todas as forças possíveis, com prejuízos pessoais e financeiros que poucos se dignaram, sequer, a tomar conhecimento, por causa do grande potencial gerador de empregos diretos e indiretos, proporcionando condições para que excelentes pilotos pudessem participar de uma prova automobilística de alto nível. Sei que essas palavras, para você, são desnecessárias, visto que esteve comigo em muitas das ocasiões e sabe muito bem que esta é a mais fiel e real manifestação de verdade.

O meu trabalho na CBA, tenho certeza absoluta, foi pautado pela honestidade e dedicação extremadas, sempre valorizando nossa mais valiosa mão-de-obra, formada por pilotos e nossos profissionais. Você, mais do que todos, é sabedor da minha luta e dos enormes obstáculos que tenho de, cotidianamente enfrentar, para sobreviver neste meio. Acredito piamente na firmeza de meus atos e, mais do que isso, tenho certeza absoluta de que, pela minha história, seja eu merecedor de um pouco mais de respeito da parte desta nova Diretoria. Sinceramente, quando recebo um ofício que me dá 24 horas para pagar uma taxa, na base do “ou paga ou morre”, a “CBA de Verdade” pode querer tudo, menos uma conversa serena e construtiva em prol do automobilismo.

Afinal, Valduga, muito mais do que alguns destes que, agora, são detentores do poder, tenho um retrospecto de realizações e, principal e primordialmente, o enorme orgulho de ter formado 6.000 (Seis Mil) pilotos nestes 40 anos e lançado vários campeonatos. É claro que não é possível simplesmente apagar essa folha de serviços, mas, considerando que estamos em um País dito “sem memória”, quero lembrar alguns deles: 1981 – Campeonato Brasileiro de Formula 2; 1984 – Campeonato Sul-americano de Formula 2; 1987 – Campeonato Brasileiro e Sul-americano de Formula 3; 1996 – Campeonato de Carros de Turismo SUDAM; 1988 a 2003 – Realização da Mil Milhas Brasileiras. Convidado pelo Pedro Paulo Diniz, elaborei e organizei o Renault Speed Show por três anos. Há quatro anos organizo e promovo o Campeonato Mundial de Carros de Turismo, o FIA WTCC, sendo esta escolhida, em todos esses anos, como a melhor organização do campeonato, tanto que o contrato de 2010 já está assinado.

Quando fui convidado por Paulo Scaglione para fazer parte de sua gestão, a CBA tinha nove campeonatos brasileiros, três contratos de R$ 80.000 (Oitenta Mil Reais) e 2000 pilotos atuantes. Acho que deixamos “somente” 16 (dezesseis) contratos, 8.590 pilotos atuantes e cerca de 40 campeonatos.

Batalhei, de forma totalmente apaixonada e idealista, junto contigo, Valduga, pela Fundação do CEOC, Centro de Excelência de Oficiais de Competições, e já temos um banco de dados com 490 Oficiais. Em TODOS os eventos por mim organizados, recolhi as taxas correspondentes, com destaque para as corridas de rua e WTCC.

Quanto ao Endurance, talvez não tenha atingido o objetivo de conseguir patrocínio à altura, mas sempre realizei ótimos eventos, mesmo sem dinheiro. Numa época em que alguns “almofadinhas” de plantão só conseguem fazer eventos com os bolsos recheados de verbas de patrocínio, eu mostrei que o FAZER AUTOMOBILISMO com paixão e profissionalismo é possível, mesmo sem qualquer apoio, muito menos patrocínio.

Talvez a nova Diretoria deva sabe que todas as categorias que tentei reabilitar, sem exceção, estão registradas em Marcas e Patentes no nome da CBA, inclusive o Endurance, Rally de Velocidade, Rally Universitário, Rally Cross Country, Brasileiro de Marcas e Pilotos, Fórmula Brasil e outras. Com prova do meu total desprendimento e esta até certo ponto burra vocação de FAZER AUTOMOBILISMO, quaisquer que fossem as condições, nenhum destes certames está em meu nome. Você sabe muito bem que o Rally Universitário era meu e o transferi para a CBA sem cobrar um único centavo.

Essa Diretoria é suficientemente adulta para tomar suas decisões e arcar com as conseqüências de seus atos, mas sugiro que, antes de tomar qualquer atitude, essa mesma Diretoria deva ouvir as pessoas que adota o FAZER AUTOMOBILISMO como princípio de vida. Chamo a atenção para a precipitação do ato, pois já iniciamos o Campeonato no dia 25 de janeiro de 2009, nos 1.000 km de Interlagos, e as equipes esperam que a CBA continue este trabalho, melhor do que a minha equipe realizava.

Espero ter um bom relacionamento com a nova Diretoria, pois vou continuar a FAZER AUTOMOBILISMO e fico na expectativa dos acertos, do desenvolvimento, do crescimento. Ademais, não pretendo gastar minhas energias com brigas, mas somente em prol do trabalho dedicado e em busca do sucesso, não pessoal, mas do nosso automobilismo.

Atenciosamente

Antonio De Souza Filho

Um simples Automobilista

2 COMENTÁRIOS

  1. Olha eu acho o seguinte ,O Promotor de corridas Antonio de Souza a quarenta anos no automobilismo criou amigos e tambem inimigos é fato pois este ramo é podre cheira mal ,e para mim com certeza já começou as caças às Bruxas pois o Promotor era muito ligado a antiga Diretoria era braço direito do então ex Presidente Paulo Eneas Scaglione ,coitado do Promotor estão crucificando o mesmo e talvez não teremos mais ele no campeonato de endurançe vai fazer falta ,o que posso dizer é boa sorte e esperar quatro anos para que mude esta diretoria e o mesmo volte a promover algumas corridas

  2. Deixa eu entender. A antiga diretoria da CBA, que está atuante há oito anos, rebela-se, vira oposição às vésperas da eleição e seu primeiro ato é cobrar da parte da diretoria da CBA que não se rebelou por taxas que supostamente ela mesmo deixou de recolher nesses últimos oito anos? O Ilmo. Sr. Presidente do CTDN, que elaborou o regulamento do Campeonato Brasileiro de Endurance em conjunto com o diretor de marketing da CBA o destitui como promotor logo após as eleições? Seria uma caça às bruxas?
    Pelo que entendi, falamos de um campeonato que já começou, e a partir de agora a promoção e organização do mesmo estará a cargo das Federações? Não seriam as Federações órgão fiscalizadores, ou passarão a ser promotores também?
    Os pilotos que compõem o Endurance foram ouvidos, consultados, ou isso não faz parte dos estatutos, eles não tem voz. Só me resta desejar boa sorte às Federações nessa nova tarefa de organizarem e promoverem campeonatos.

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