A suposta condição de praça desportiva deficitária foi um dos mais fortes argumentos usados por João Doria para privatizar Interlagos

Por Américo Teixeira Junior – Fotos Rodrigo Berton/Grande Prêmio, de Interlagos

Embora os números finais ainda não sejam conhecidos, já é possível afirmar que o Autódromo de Interlagos fechará o ano com um lucro em torno de R$ 3 milhões. O custeio anual consome R$ 7 milhões, mas a receita atingirá a marca de R$ 10 milhões, considerando os eventos que ainda serão realizados neste mês e no próximo.

Esses dados contrariam veementemente uma das afirmações corriqueiras do ex-prefeito João Doria, quando de sua cruzada para privatizar o autódromo. Tentou inclusive, o agora governador eleito, acelerar a tramitação do projeto para esse fim, mas a manobra regimental foi derrotada na Câmara Municipal, resultado da ação conjunta entre a oposição parlamentar, a comunidade organizada do automobilismo paulista, liderada por Sergio Berti e Orlando Sgarbi, e a FASP.

O prefeito Bruno Covas não tem a intenção de retirar da Câmara o projeto de privatização de autódromo, mas também não cometerá o erro de seu antecessor de subverter a ordem estatutária. Sendo assim, o projeto está juridicamente parado porque não está definido o que poderá ser feito na região.

Qualquer movimentação nesse sentido precisará que, em primeiro lugar, seja aprovado na Camara Municipal o plano de urbanização para a região de Interlagos, o que ainda não aconteceu. Só depois disso o projeto de privatização poderá ser analisado, desde que acomodado nas normas do plano de urbanização.

Enquanto isso, o titular da Secretaria Municipal de Turismo, Orlando de Faria, tem planos para ampliar a realização de eventos no autódromo, mas garantiu que sem prejuízo de datas para o automobilismo. Outro fator positivo, segundo o secretário, é que as instalações já estão prontas, sem qualquer necessidade de mais melhorias para novos eventos.

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Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.