Por Americo Teixeira Jr. – Em que pese a visibilidade mundial em razão do relacionamento com Bernie Ecclestone, com quem se casou em 2012, a brasileira Fabiana Flosi soma quase 20 anos de atuação profissional na Fórmula 1. Mesmo não tendo mais um cargo específico na organização do Grande Prêmio do Brasil, sua agenda continua repleta não só na etapa brasileira, mas em todas as demais que compõem o calendário mundial. Economista e advogada, Fabiana entrou na empresa comandada por Tamas Rohonyi como temporária. Depois de participar de dois eventos nessa condição, foi contratada como recepcionista – “atendia telefone e passava fax” – e ao sair, 16 anos depois, era vice-presidente de marketing.

Como executiva internacional, tornou-se uma especialista na categoria, inclusive com ampla atuação na FIA, com destaque para o período em que foi membro do Conselho Mundial de Esporte Motor, na condição de adjunta do representante eleito do Brasil, o então presdidente da CBA Paulo Scaglione. Nesse entrevista exclusiva para o Diário Motorsport, concedida no escritório da FOM em Interlagos, Fabiana externou a suya visão como profissional do automobilismo e, vez ou outra, dava uma olhada rápida no monitor ali instalado, pois o único espaço que ela teve na agenda para receber o jornalista foi justamente durante o Qualifying para o Grande Prêmio do Brasil. “É essa loucura sempre“, comentou.

Fabiana Flosi tem uma experiência de 20 anos na Fórmula 1 (Foto Reprodução www.motorsport.com)
Fabiana Flosi tem uma experiência de 20 anos na Fórmula 1 (Foto Reprodução www.motorsport.com)

 

Diário Motorsport – Como uma advogada foi parar na vice-presidência de marketing do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1?

FABIANA FLOSI – Na verdade, a história começa lá atrás, quando eu ainda era estudante. Fiz duas faculdades, Administração com Comércio Exterior e depois Direito. Então, quando estava fazendo minha faculdade de Administração, surgiu uma oportunidade de fazer um trabalho temporário do Grande Prêmio do Brasil, que foi super interessante e gostaram do meu trabalho. Eu trabalhava na parte de bilheteria, fazendo atendimento corporativo e clientes internacionais. Era um trabalho muito simples, contando ingresso e colocando num envelope. Mas eu acho que o importante em todo trabalho, toda profissão, quando você quer aprender, toda função é interessante e o trabalho de todo mundo deve ser respeitado. No ano seguinte me chamaram de novo e depois me efetivaram no escritório. Comecei como recepcionista, atendia o telefone, passava fax – não tinha muito e-mail naquela época – e foi muito legal porque me deram uma oportunidade acho que também correspondi e fui mudando de área. Tabalhei na produção gráfica, logísticas das equipes e Internacional, até chegar na área comercial e encerrar minha carreira no Grande Prêmio do Brasil como vice-presidente de Marketing. Foi uma trajetória …

DM – E essa trajetória foi longa …

FABIANA – Sim, foram 16 anos trabalhando com o Tamas Rohonyi na organização do Grande Prêmio do Brasil. E depois que fiz Administração, com especialização em Comércio Exterior, percebi que na área comercial, se eu curssasse Direito, que também era uma área que me interessava, iria me ajudar com contratos e negociações. Então, foi um “casamento”. Na verdade eu nunca advoguei, terminei a faculdade e acabei nunca saindo da International Promotion [Nota do editor: Antigo nome da empresa organizadora, agora denominada International Publicity].

DM – O que a organização do Grande Prêmio do Brasil tem a aprender e a ensinar aos demais promotores que fazem parte do Mundial?

FABIANA – O que a gente tem de lembrar, quando vai para outras corridas e eventos é que cada mercado, cada praça onde a corrida acontece tem a sua própria cultura, seu próprio idioma, sua própria moeda e tudo o mais. Se fosse uma coisa uniforme – todo mundo falando a mesma língua, com a mesma economia e todo mundo no mesmo nível – eu acho que o Grande Prêmio do Brasil não deixa nada a desejar para os outros eventos. Ao contrário, acaba fazendo milagre com a estrutura que nós temos. Se a gente for para o GP de Abu Dhabi, onde daqui há duas semanas toda as equipes vão estar lá [Entrevista realizada em 8 de novembro], a estrutura equivalente a essa que nós estamos conversando agora, atrás dos boxes, é fantástica. É uma estrutura que seria o mundo ideal para a realização de um evento internacional. Mas, quando a gente vem para o Brasil, toda a boa vontade, o treinamento do staff que recebe as empresas e os convidados, a gente faz um evento que todas as equipes gostam e falam muito bem do Brasil porque onde não tem estrutura a gente acaba complementando com serviço, com atendimento e todo mundo acaba compreendendo que cada lugar é diferente do outro e não tem muito como você padronizar. A beleza do campeonato mundial é poder ir para diversos lugares no mundo, sempre com o mesmo evento, mas sob condições muito particulares e completamente diferentes. Mas acho que o Brasil não deixa nada a desejar em termos de organização e disponibilidade do pessoal. 

DM – Quais são as suas atividades profissionais, hoje?

FABIANA – Sou membro da comissão de mulheres no automobilismo [FIA Women of Motorsport Commission] e da comissão de recordes [FIA World Land Speed Records Commission]. Através da CBA eu represento o Brasil nessas duas comissões da FIA. Paralelamente a isso, você viu que nos Grandes Prêmios eu não paro um minuto, fazendo de tudo um pouco. É a parte de conhecer as pessoas, participar de eventos, recepcionar autoridades, então, como esposa do Bernie, eu acabo absorvendo toda essa parte social. E também tem toda a parte beneficente que a gente faz na Inglaterra e também no Brasil. 

DM – Você tem alguna função no escritório da FOM em Londres?

FABIANA – Não, não trabalho para a FOM, em Londres. Hoje diria que o meu maior bussiness, que eu faço profissionalmente, é cuidar da nossa fazenda de café, que fica na região de Amparo [Estado de São Paulo]. Tenho uma marca de café que se chama Celebrity Coffee. Ela ainda não está na venda a varejo, mas a gente já serve o café nos Paddock Clubs do Mundial de Fórmula 1 e eu estou trabalhando com isso. É um universo novo para mim.

DM – Como você vê a Fórmula 1 nessa fase de mídia digital?

FABIANA – A Fórmula 1 está bem representada com seu site e nas redes sociais. Eu acho que todas as mídias digitais são muito boas, mas elas são importantes principalmente para as marcas que ainda não têm um conhecimento geral. Então, para as marcas que ainda não estão estabelecidas, não são conhecidas, como por exemplo o meu café Celebrity Coffee. Eu estou trabalhando num site, depois vou ter uma página no Facebook, Intagram etc. Quanto mais eu conseguir ter a exposição da minha marca em todos os canais de comunicação, quando você está criando uma marca, isso é muito importante. No caso da Fórmula 1, por ser uma marca já estabelecida, eu acho que ela tem de estar representada, como está representada, mas eu não vejo como pode atrair benefícios para a categoria. 

Foto Reprodução www.motorsport.com)
O casal Ecclestone é presença constante nos Grandes Prêmio (Foto Reprodução www.motorsport.com)

DM – Como você avalia o trabalho de pilotos e equipes junto aos fãs pelas redes sociais?

FABIANA – Eu acho que sempre a gente pode aprimorar, tudo aquilo que a gente puder fazer para levar o público mais próximo do piloto é interessante. Uma coisa que a SKY e a BBC fazem, como eu acompanho a cobertura de lá, e eu gostaria que a Globo também fizesse (eu não acompanho direto a cobertura, mas parece que agora eles [Globo] estão fazendo um programa antes da abertura da transmissão), quanto maior a informação que você leva para o telespectador e para as pessoas que acompanham o campeonato, mas fácil fica para as pessoas simpatizarem com aquela pessoa e começar a seguir. Por exemplo, o Felipe Massa tem um Instagram que é fantástico, está sempre postando e isso torna as pessoas mais próximas. Os pilotos em geral fazem isso, as equipes têm sites, mas sempre pode melhorar.

DM – A perda de audiência em TV atingiu a Fórmula 1?

FABIANA – Eu não posso falar de forma concreta porque eu não trabalho na FOM e não estou mais na organização do Grande Prêmio do Brasil, mas a minha opinião como profissional é que, anos atrás, a gente tinha somente a televisão, praticamente o único meio de se comunicar com o telespectador e a audiência era fantástica. Hoje, você tem todas as outras mídias e um volume de eventos e atrações muito maior. Tudo isso faz com que se dilua [a audiência] também. Eu não vejo uma perda de audiência, mas um número muito maior de produtos disponíveis ao cliente final para ele escolher como ver. Eu me lembro, quando criança, se eu tivesse em casa, vamos supor, dez canais, eu estava feliz. Hoje eu tenho em casa 400, 500 canais. O volume de informação disponível é muito maisor. Então, isso dilui e eu vejo isso mais a longo prazo, não uma questão do esporte. Eu acho que o esporte continua saudável, com atrativos interessantes, corridas fantásticas. Eu não vejo motivo para a pessoa não querer assistir, mas agora com muito mais opções.  

DM – A atual crise da Fórmula 1 é pontual ou algo realmente abrangente?

FABIANA – Trabalhando 16 anos na Fórmula 1, todo ano tinha uma crise. Então, se estão falando em crise, essa é a crise do ano, do momento. Crises sempre surgiram e foram embora e a Fórmula 1 vai continuar forte como sempre esteve. 

 DM – Quais as grandes metas das comissões que você faz parte na FIA?

FABIANA – A missão principal da comissão de mulheres é levar ao conhecimento das mulheres que todas podem se envolver no esporte. É levar essa bandeira que, no automobilismo, a mulher também pode ter o seu território. Além disso, também ajudar as mulheres que estão saindo das categorias de base e com potencial de chegar à Fórmula 1. Já na comissão de recordes, a gente avalia e aprova os recordes na medida em que eles acontecem. Em setembro, por exemplo, teve um grande evento em Laredo, nos Estados Unidos, com vários recordes sendo aprovados. Mas a comissão trabalha em função dos recordes que são enviados para serem aprovados. 

DM – Nessa vivência no Grande Prêmio do Brasil, teve algum em especial que tenha marcado?

FABIANA – Ah, todos são especiais, cada um por uma razão. Sempre trabalhei com muita paixão. Alguns momentos marcantes foram quando veio o Pelé dar a bandeirada, a Giselle Bundchen ter vindo também para dar a bandeirada. A gente criou a batucada no pódio, iluminou o pódio, colocou a chuva de papel picado e a música nova, tudo isso ficou gravado na memória. Cada ano é uma aventura diferente. 

Foto Beto Issa/GP do Brasil)
Fabiana Flosi (esq.) no Grande Prêmio do Brasil deste ano (Foto Beto Issa/GP do Brasil)

1 COMENTÁRIO

  1. Dra. Fabiana, bom dia !

    O grupo RAC publicou uma matéria sobre a fazenda Icatu e o Celebrity Coffee of Amparo.
    Achei maravilhosa em todos os aspectos, pois tenho sítio em Monte Alegre do Sul e com certeza toda a região será de algum modo beneficiada, não somente com os investimentos que virão, mas também pela presença ilustre do Sr. Ecclestone.
    Sou um profissional de vendas de 64 anos e gostaria de poder fazer parte deste projeto.
    Agradeço antecipadamente,

    Bonas
    (19)98131-9263

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