Por Americo Teixeira Jr. – O piloto brasileiro Nelson Piquet, que anunciou nesta terça-feira a renovação de seu contrato com a equipe pela qual lidera a Fórmula E, a NexTV China Racing, confirmou que, de fato, houve sondagens recentes sobre uma eventual participação sua na Fórmula Indy. Acrescentou, porém, que não “forçou muito a barra”. Deixou claro que estaria disposto a fazê-lo, mas desde que fosse numa “situação boa”. Do contrário, Piquet pondera: “Isso é pedir para, realmente, apanhar”.

Nesta rápida entrevista ao Diário Motorsport, ele foi muito gentil com os pilotos da Indy Lights, categoria da qual participou da rodada dupla de Toronto, a convite da equipe Carlin. Piquet Junior, como é conhecido no exterior, poderia ter saído do Canadá com dois pódios – um deles, inclusive, de vencedor, depois de ter assinalado a primeira Pole Position do carro 14 da equipe inglesa, que está em sua primeira temporada na categoria norte-americana. Mas as duas oportunidades na rodada dupla foram tiradas das mãos de Piquet ao ser “atropelado” na pista de rua de Toronto por erros de adversários. O acidente do sábado, provocado por RC Enerson, foi o mais grave.

Maduro, entretanto, o piloto foi condescendente com seus pares. “São meninos”, disse. Ele comparou os programas norte-americano e europeu nas categorias de acesso, destacando o melhor pacote técnico na Europa. Mas enalteceu o lado positivo nos Estados Unidos, que é a premiação em dinheiro, permitindo que o piloto tenha recursos para ter acesso à categoria seguinte.

Apesar dos acidentes, que eventualmente poderiam interferir na decisão da Fórmula E, em Londres, Piquet não se arrepende de ter corrido em Toronto, muito pelo contrário. Considerou que foi uma preparação muito positiva ter tido a oportunidade de correr em pista molhada com um monoposto.

 

Diário Motorsport – Em razão do que viu em Toronto na Indy Lights e das ocorrências em outras categorias de acesso (vide F3 na Europa), você considera que há um problema crônico de formação dos jovens talentos?

NELSON ANGELO PIQUET – Eu acho que talvez na Europa tenha um pouco mais de base porque tem Fórmula Renault, Fórmula 3, tem categorias um pouco mais rápidas, antes de chegar na GP2. Eu acho que as categorias aqui [USA], a Pro Mazda, sei lá, – tem duas categorias abaixo da Indy Lights [USF 2000 é a outra] – são categorias bem inferiores [se comparadas com as da Europa]. Eu acho que é um pulo grande, é como se fosse da Fórmula Renault – é a minha opinião, posso estar errado -, na Europa, direto para a GP2, quase. A Indy Lights tem um carro relativamente rápido e não fácil de andar. O que a gente viu lá de acidentes, essas coisas, também tem de considerar que a pista é muito difícil, na reta de trás [Reta Oposta, entre as curvas 1 e 2] a gente chega muito rápido. Acho que chegava uns 260 km/h, uma coisa assim. São meninos novos, meninos que talvez fizeram um ou dois anos de outras categorias e foram direto para a Indy Lights. Mas o que você também tem de lembrar é que o programa é muito bom nos Estados Unidos porque, quando você ganha o campeonato, eles pagam para a próxima temporada. Se ganha o campeonato da Indy Lights, eles pagam a temporada da Fórmula Indy, então, tem isso também que é importante e que na Europa não tem muito. Mas, sim, eu acho que os meninos tomam um pouco mais de risco do que devem, na minha opinião, mas é uma coisa normal de meninos novos.

DM – Chegou a se arrepender de ter aceito o convite, visto os riscos que você passou e, em caso de algo mais grave, poderia ter atrapalhado a sua preparação para a decisão de Londres?

NELSINHO – Não me arrependo de jeito nenhum. Para falar a verdade, achei que ia ser até mais fácil. Na tomada, tive que tirar uma volta do fundo mesmo, batalhar com o carro a volta inteira para tirar uma volta boa. E isso também que os treinos não ajudaram. No primeiro dia estava molhado, o treino foi encurtado. Então, realmente, o primeiro treino de verdade foi na tomada. Mas foi uma preparação muito boa para Londres. O carro tem muita potência e quando entra o turbo realmente perde muita tração. É um carro bem difícil de pilotar e por isso teve bastante gente rodando na pista. O Formula E é um carro muito mais suave, mais dócil de pilotar, então, essa experiência com o Indy Lights andando na chuva numa pista de rua com certeza me preparou bem.

DM – Não é de hoje que tenho ouvido que equipes de Indy têm falado com você. De fato, existiram essas conversas?

NELSINHO – Sempre tem tido algumas conversas aqui e ali, mas eu nunca forcei muito a barra, entendeu? A minha própria equipe do Rallycross [SH Racing RallyCross] tem patrocinadores que patrocinam tambem o Bourdais [a marca HydroxyCut, cujos produtos estão relacionados à perda de peso, patrocina também o carro do piloto francês Sebastien Bourdais na KVSH Racing] e sempre estão querendo me perguntar: “E aí, e a Indy?”. É uma coisa que eu faria, que nunca me negaria a fazer, mas tinha de ser uma oportunidade certa. O que eu fiz na Indy Lights, de chegar no fim de semana sem conhecer a pista e o carro, esquece, eu não faria. Teria de fazer dois ou três dias de treinos, ficar confortável, realmente saber que está tudo numa situação boa, sabe, não ir numa pista que eu não conheço, num carro que eu mal conheço. Isso é pedir para, realmente, apanhar. Teria de ser uma situação muito boa e, sim, eu faria porque adoro esses desafios e deve ser um carro muito legal de andar.

DM – Há alguma categoria a ser experimentada (ou convite em análise) para o intervalo entres as temporadas 1 e 2 da FE?

NELSINHO – Assim que o campeonato da Fórmula E acabar é focar no campeonato do RallyCross e os treinos da Fórmula E. A gente já deve começar a desenvolver o carro na semana seguinte depois de acabar o campeonato da Fórmula E, então, realmente, a gente não vai parar. Tem os treinos de desenvolvimento e ao mesmo tempo o RallyCross que é um calendário semi apertado também.

2 COMENTÁRIOS

  1. Vejo hoje o NAP como um piloto maduro tb como pessoa. Maduro em suas colocaçoes, atitudes, relacionamento c os fãs e td isso eh o q faz dele o investimento certo patrocinadores de todo o mundo, menos os brasileiros, obvio, que n enxergam um palmo á frente do nariz.
    Versatil, Nelsinho vem adquirindo uma experiencia global enorme e isso faz mta diferença qdo se corre em pistas de rua ou carros desconhecidos por todos…
    E parabéns Américo…ótimo trabalho!

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