Uma visão otimista sobre o futuro do automobilismo brasileiro

Por Américo Teixeira Junior – Fotos Chapa Bandeira Verde, Vicar e Arquivo DM

Seja para vereador ou presidente da República, toda campanha eleitoral deixa cicatrizes. É próprio da política. Não seria diferente na eleição presidencial para a Confederação Brasileira de Automobilismo, realizada ontem no Rio de Janeiro. Há de se enxergar, agora, além do pleito em si e aprender com as boas e más lições que foram disponibilizadas. Numa visão otimista, o Diário Motorsport acredita que o vencedor Waldner Bernardo, o adversário Milton Sperafico, os pilotos e o automobilismo como um todo, enfim, foram vencedores.

Dadai

Waldner Bernardo assumirá a CBA no dia 17 de março

Chamado assim desde a infância pela irmã mais nova, que quando criança não conseguia chamar o irmão pelo nome de batismo, Dadai é um homem de pista. Se a gente considerar que é um ex-bandeirinha que foi subindo e conquista agora a presidência da CBA, pode-se creditar a ele o conhecimento de uma realidade com que nem todo dirigente está familiarizado. É uma pessoa de qualidade pessoal e profissional, além de ter planos muito realistas de crescimento e desenvolvimento do esporte.

Acontece que isso só não basta. Dadai tem de ser o sujeito de sua presidência, protagonista de uma virada qualitativa que passa fundamentalmente pela recuperação da credibilidade e representatividade da CBA. Será exigido dele e de sua equipe muita coragem e jogo de cintura para implantar a tão necessária gestão profissional na entidade.

Sperafico

Milton Sperafico elevou o nível da disputa

A entrada de Milton Sperafico na disputa elevou a qualidade do debate, o que não haveria se houvesse apenas uma chapa. Sua experiência de anos como piloto, e também nas demais atividades no automobilismo esportivo que exerceu, credenciou-o a apresentar um programa de gestão abrangente, moderno e identificado com as dificuldades de um automobilismo que ele conhece tão bem.

Foi graças a concorrência representada por Sperafico que temas sensíveis puderam ser discutidos e compromissos assumidos, num debate do qual os dois candidatos não fugiram. O confronto de ideias proposto por segmentos da imprensa fez com que, pela primeira vez, a campanha eleitoral na CBA deixasse os gabinetes e fosse de encontro à massa do automobilismo.

Pilotos

Felipe Giaffone representou os pilotos

Pela primeira na história da CBA, os pilotos estiveram oficialmente envolvidos na escolha do presidente. Pela primeira vez um representante dos pilotos esteve presente, com direito a voto, numa assembleia eletiva. Pela primeira vez uma associação movimentou seus associados num debate para influir diretamente nos destinos do automobilismo brasileiro, por meio do voto.

Talvez tudo isso tenha passado despercebido dos críticos da Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo, cujo peso eleitoral dos “apenas” 35 votantes na eleição interna foi de “apenas” um voto. Há de se respeitar quem considera o “copo meio vazio”. Otimistamente falando, porém, trata-se de um “copo meio cheio”, pois já em sua primeira iniciativa, nada menos do que 35 pilotos deixaram a absurda passividade reinante no meio e assumiram o protagonismo de um processo inédito, mas que necessariamente tem de avançar.

Futuro

Uma marca triste dessa campanha foi a manifestação de preconceito regional. É óbvio que o automobilismo que se faz no Sul/Sudeste do Brasil é muito superior àquele que se pratica da metade do país para cima. É fato que os dirigentes das federações menores não podem se conformar com as dificuldades e precisam reverter o marasmo em busca de um automobilismo melhor. Mas é injusto medir o automobilismo nordestino com a mesma régua que se mede o paulista ou paranaense, por exemplo. Da mesma forma que não é correto simplesmente cobrar eficiência, sem levar em conta as realidades locais.

Compreensivelmente chateado com a derrota, Sperafico anunciou o fim desse breve período na política. Mas o futuro precisa fazer justiça a uma pessoa com a envergadura profissional e moral de Milton Sperafico. Um automobilismo carente não pode abrir mão de alguém com esses predicados.

As divisões políticas acabaram ontem e, amantes do automobilismo como são, Dadai e Sperafico podem dar um exemplo de união jamais visto no esporte. Se eu sou o Dadai, chamaria o Sperafico para atuar na nova gestão. Eu, se sou o Sperafico, aceitaria. E quanto antes as feridas cicatrizarem, mais rápido esse gigante chamado automobilismo brasileiro vai avançar.

O automobilismo que queremos não como fato isolado, mas como rotina

5 COMENTÁRIOS

  1. Discordo. O continuismo prevaleceu. E a continuar o que estamos vendo nos últimos anos, o que sobrará do automobilismo nacional nos próximos anos? Não é descrédito aos que estão assumindo, é apenas a sensação de que já vi estes filmes inúmeras vezes. E não gostei do final.

  2. Mais do mesmo, mantido o coronelismo do voto de curral da CBA, federações que nem tem autódromo, nem sede física assim como no congresso deste país, quem menos faz e faz errado se mantém sustentado pelos que efetivamente são o PIB nacional

  3. Vamos acompanhar qual vai ser a atuação da CBA no esquema forte e muito bem montado, onde clubes de gaveta e com Donos, garantem a perpetuação de presidentes de Federações, estes então garantem a continuidade​ na CBA, a base do problema são estes tais clubes de gaveta/fantasmas que só existem no papel. Pilotos que devem votar. Diretas Já!!!!!!

  4. Muito bom concordo.100 % com seu texto amigo.Americo .O esporte Automobilismo.nos umiu para sempre ; desde 1964 qdo iniciei.minha carreira esportiva venho aglutinando cada vez mais nossos amigos das pistas .nosso grupo de pilotos amigos deve ultrapassar milhares ..sempre nos reunimos para recordar nossas freadas no limite maximo de cada um , forte abraço e vamos sempre somar !!

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