O confronto de marcas, que agora se apresenta, foi o elemento gerador de algumas novidades técnicas, que no médio prazo tendem a avançar

Por Américo Teixeira Junior

Os modelos Chevrolet Cruze e Toyota Corolla (destaque/capa) foram testados por Ingo Hoffmann, Beto Monteiro e Vitor Genz no Autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), no dia 28 de fevereiro – Fotos DUDA BAIRROS/Stock Car

A 41ª temporada da Stock Car, que tem início marcado para o próximo dia 29 em Goiânia (GO), marca a estreia de novo conceito. Não se trata, porém, de uma revolução tecnológica ou alteração radical de tudo o que foi feito até 2019. Isso significa dizer que os chassis tubulares, diferentemente do que vem sendo propalado, não estão sendo substituídos por monoblocos originais de fábrica. No mesmo sentido, a motorização usada até o ano passado não virou sucata para dar lugar a motores totalmente novos. Há, sim, novidades, mas na esteira de um processo inicial e gradual de transformações.

Projetados e construídos pela Giaffone Racing (GR), continuam sendo usados os chassis tubulares em todos os carros. Também os motores V8, que a empresa importa, prepara e fornece, serão utilizados novamente, mas agora só no caso do Chevrolet Cruze. Já em relação ao Corolla da Toyota, justamente por ser a temporada de estreia, há elementos novos. Fato é que os carros de corrida estão mais parecidos, esteticamente falando, com os modelos de rua. Mas terminam aí as semelhanças, pois o pacote técnico é genuinamente de competição

Chassi tubular e uma “pitada” de monobloco

Do surgimento em 1979 com Chevrolet Opala, passando pelo Chevrolet Ômega a partir de 1994 e, desde 1999, com chassis tubulares construídos pelo ex-piloto Zeca Giaffone, a Stock Car já passou por muitas fases e agora parte para a chamada “nova geração”. Para esse fim, adota elementos dos respectivos monoblocos Chevrolet e Toyota – e de quem mais entrar, pois há esforços do comandante Carlos Col em atrair novas montadoras.

Longe de estar havendo a aposentadoria dos chassis tubulares, a diferença em relação ao que se viu até o ano passado está na carroceria que envolve a estrutura tubular. Se antes era uma bolha de fibra de vidro, agora as laterais e o teto são originais de fábrica. Todo o restante, entretanto, segue o padrão anterior. Há razões para isso. A rigidez e segurança do conjunto são maiores no tubular, se comparadas ao carro de rua. Até o assoalho, que mudou para uma prancha plana com partes em madeira, nada tem a ver com o monocoque original.

Equalização dos motores

O motor 4.1 seis cilindros, da Chevrolet, foi o propulsor da Stock Car até 2002. Foram 24 anos e algumas evoluções no equipamento. A revolução, mesmo, veio em 2003, quando a então JL, atual Giaffone Racing, importou motores semelhantes aos da NASCAR. Apesar de o V8 norte-americano ter configuração para gerar potência de 660 cv, a faixa de utilização no Brasil teve um teto de 450 cv. Basicamente, o motivo foi evitar quebras desnecessárias e a consequente elevação de custos.

Para o novo momento, os Chevrolet Cruze estão equipados com os mesmos LS3, que já foram o equipamento padrão da categoria até o ano passado, quando o grid era monomarca. Bloco e cabeçote são os do Corvette de rua, mas com a parte interna totalmente de competição.

Abandonado o formato de motor único, surge algo novo, de fato, que é a equalização. Algo que pode ser comparado, mais no conceito do que propriamente na execução, com o BoP (Balance of Performance) do IMSA SportsCar e FIA WEC.

Para obter o máximo equilíbrio, a GR mandou fazer na DART, nos Estados Unidos, blocos e cabeçotes específicos de competição para o Toyota Corolla. Foi descartada a opção por um modelo Toyota de rua por capacidade volumétrica e peso. A diferença na litragem dificultaria a equalização.

Nos dois casos, não significa propriamente aumento de potência, pois foram mantidos os picos de 450 cv e 550 cv, respectivamente, sem e com o acionamento do push to pass. O que conta aí são as “digitais” das montadoras também no campo técnico.

Há, efetivamente, um caminho a percorrer, inclusive com a possibilidade de um motor Toyota inteiramente novo no futuro, mas inegavelmente a categoria quarentona entra de cabeça na nova geração.

4 COMENTÁRIOS

  1. Aumentando a resistência a pequenos impactos já melhoraria muito, isso de um carro esbarrar no outro e sair pedaços é muito chato, também gostaria que o carro passasse a ter mais tolerância a escapadas com o piloto podendo consertar, fazer a curva de lado, algo que os carros atuais pouco permitem.

  2. Américo

    Essa mistura de chassi tubular e “monobloco” de fábrica ainda é fabricado pela Giaffone e montado pelas equipes ou cada equipe vai poder montar o seu seguindo um gabarito, como é na Nascar?

    O que diz o regulamento técnico em relação ao motor? V8 de deslocamento máximo X litros e procedência livre?

    • Oi Marcos,

      É a primeira opção, ou seja, todo o conjunto é fabricado pela Giaffone Racing e carroceria montada pelas equipes.Sobre o regulamento, ficarei devendo. Não foi publicado, ainda, pela CBA. Também estou curioso sobre vários itens.

      Abração!

      Américo

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