Natural de São Caetano do Sul, o piloto foi um dos principais nomes da antiga Divisão 3, com o inconfundível Fusca de corrida

Por Américo Teixeira Junior

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Arturo Fernandes recebe beijo carinhoso do engenheiro e diretor técnico Cláudio Ceregatti – Reprodução Facebook Arturo Fernandes

Automobilismo, em meio a prateleiras, compunha o cenário do mercadinho da Rua Engenheiro Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul, o “C” do ABC paulista. Não era muito grande, mas tinha de tudo o que as famílias do Jardim São Caetano precisavam. Ali perto, do outro lado da principal avenida da região, a Estrada das lágrimas, havia um colégio técnico chamado Jorge Street.

De vez em quando, os alunos de mecânica e eletrônica atravessavam a avenida – de nome duvidoso por causa de um cemitério no final desta, quase na divisa com São Bernardo do Campo – e iam comprar doces e biscoitos no mercadinho.

Um desses estudantes, lá com seus 14 ou 15 anos, percebeu nas paredes do estabelecimento umas fotos de um Fusca de corrida. As imagens coloridas e P&B foram suficientes para que o local passasse a ser visitado com mais frequência.

Num belo dia, o coração do estudante disparou. O mesmo Fusca das fotos estava na frente do mercadinho, sobre uma carretinha ligada à traseira de um carro de passeio. Muito, mas muito mais lindo do que nas fotos, o harmonioso layout, que misturava azul, vermelho e branco, tornou mais marcante ainda aquela primeira vez do estudante, que nunca tinha tido ainda a chance de ver de perto um carro de corrida.

Ao perguntar sobre o carro, o rapaz que atendia no caixa respondeu: “É meu, eu sou piloto”. Foi a largada para algumas boas conversas sobre automobilismo. Num dia, o aluno apareceu com uma Quatro Rodas na mão e mostrou todo orgulhoso para o “moço do mercadinho”: “Olha você aqui!”.

O entrosamento entre os dois foi se estreitando e o estudante convenceu o diretor da escola técnica de que deveria convidar o piloto para uma palestra. E assim foi feito, com muito sucesso. A molecada estava muito curiosa em como transformar um carro de rua para a pista e, também, como era possível andar tão rápido em Interlagos.

Tempos depois, com o término do curso, estudante e piloto perderam contato, mas puderam relembrar toda aquela atmosfera em encontros rápidos nas pistas, por vezes, ao longo dos anos.

O piloto, campeoníssimo em carros de Turismo, principalmente na Divisão 3, na qual conquistou vitórias e títulos, era Arturo Fernandes.

Nesta quinta-feira, 28, ele estava na Fazenda DIMEP, em Itatinga, interior de São Paulo, acompanhando testes de sua equipe na pista particular do piloto e empresário Dimas de Melo Pimenta. Aos 75 anos, sentiu-se mal e faleceu no local. Infarto fulminante.

Àquele estudante, coube rememorar, nesta matéria, as histórias do Fusca e da palestra numa escola de São Caetano do Sul, há aproximadamente 45 anos.

Muito obrigado, “moço do mercadinho”.


Capa/Destaque: Arturo Fernandes – Foto Rui Amaral Jr.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Minha primeira vez em Interlagos, eu devia ter uns 11 anos de idade .. graças a generosidade do Waltinho, meu primo era amigo do Turito, e q sabia q eu já era louco p carros e corridas .. kk na hora de ligar esse Fusca e fazer os ajustes finais … Todo mundo saiu do box .. só eu e o mecânico do Turito ficamos ali … Kkk. Aquele ronco do motor era sinfonia p mim .. 😁.
    Grande Turito, Q Deus o tenha … Meu primeiro ídolo do automobilismo..

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