O novo carro da Williams nasce entre a expectativa de uma nova era técnica e dúvidas sobre até onde seus pilotos podem ir

Por Américo Teixeira Junior – Fotos Williams F1 Team

O carro que a Williams apresentou nesta quinta-feira, 15, em Londres, tem em torno de si uma série de interrogações. No âmbito técnico, embora esteticamente resumido aparentemente à introdução do Halo e da eliminação do shark fin (barbatana de tubarão) sobre o motor, existe um expectativa muito acentuada em saber como funciona o primeiro carro da era Paddy Lowe. A outra ponta, mais repleta de dúvidas ainda, é sobre a capacidade da mais jovem dupla da atual temporada em obter resultado expressivos.

Diretor Técnico e co-proprietário da equipe desde março de 2017, o engenheiro britânico de 56 anos nascido no Quênia exerceu uma espécie de jornada dupla no ano passado. Ao mesmo tempo em que dedicava esforços para aprimorar a performance do FW40, concebido sob a direção técnica de Pat Symonds e que deixou a equipe em dezembro de 2016, o ex-diretor técnico da Mercedes AMG F1 tinha eu seu horizonte o FW41, sobre o qual pôde aplicar seus conceitos.

Essa condição foi corroborada quando Lowe disse, no lançamento, que o FW41 apresenta mudanças radicais, mas não visíveis na aparência do carro. Obviamente que, por força do regulamento, a Williams precisou mudar a leitura aerodinâmica, lidar com o aumento de peso e reestudar a distribuição de peso, algo comum para todas as equipes. Mas nessa segunda passagem pela Williams (a primeira foi de 1987 a 1993, período no qual participou de desenvolvimento da suspensão ativa, aquela mesma que fazia Ayrton Senna designar os FW14 e FW15 como “carros de outro planeta”), Lowe indica ter ido muito mais até do que simplesmente readequar o modelo anterior aos mais recentes quesitos regulamentares.

Diante dos avanços técnicos evidenciados por Paddy Lowe, há de se supor que um piloto experiente daria uma contribuição decisiva no desenvolvimento. Esse nome, entretanto, não existe entre os titulares. Já galgado à condição de titular mais experiente do time, em que pese ter apenas 19 anos, o canadense Lance Stroll parte para a sua segunda temporada e intimado, por assim dizer, a mostrar evolução. De bobo o garoto não tem nada, afinal, ninguém é campeão europeu de Fórmula 3 (2016), do Toyota Racing Series New Zealand (2015) e do italiano de Fórmula 4 (2104) por acaso, porque caiu do céus ou porque o pai pagou. Mas porque tem uma espécie de plaquinha escrita “piloto pagante” na testa, precisa provar, sem descanso, que não é só um garoto endinheirado.

Paddy Lowe, Claire Williams, Lance Stroll, Sergey Sirotkin e Robert Kubica no lançamento do FW41 acontecido ontem, na capital inglesa (Foto Sam Bloxham/LAT Images/Williams F1)

E por falar em garoto endinheirado, nessa mesma balada está o russo Sergey Sirotkin, que aos 22 anos chega ao posto de titular da Williams amparado pelo dinheiro do grupo russo SMP. O moscovita tem flertado com a Fórmula 1 desde os seus tempos “imberbes”, mais precisamente quando foi anunciado como piloto de testes da Sauber, ainda em 2014. Ele tinha 18 anos. Depois disso, intercalou a disputa da GP2 (2015 e 2016) com a função de reserva na Renault (21016 e 2017).

Que seu nome foi escolhido “também” em função do dinheiro, isso é obvio. É verdade que isso não é nenhum demérito, principalmente nos dias de hoje. Vale destacar a defesa veemente que a Team Principal Claire Williams tem feito de seu piloto, mas caberá a Sirotkin reunir tudo de melhor que tem, acumulado desde que começou a correr de kart aos sete anos, e mostrar que estão errados os que consideram seu valor medido unicamente em rubros.

Diante dessa noviciaria toda, Robert Kubica surge como um ás. Quanto maior for a resposta que puder dar em favor do desenvolvimento do FW41, maior será sua importância na equipe, mesmo na condição de piloto reserva. Será um ponto a ponto a compor uma história significativa de superação, como poucas na história do esporte.

Seja como for, a equipe de Sir Frank Williams concentrará uma significativa atenção na temporada de 2018.

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Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.