Piloto brasileiro se despedirá da Fórmula 1 nos Grandes Prêmios do Brasil e Abu Dhabi

Por Américo Teixeira Junior

Contribui muito para o desenvolvimento do carro o piloto que, como Massa, entende a linguagem do corpo técnico e sabe transmitir o que ocorre na pista (Fotos Williams F1 Media)

Como se não bastassem os diversos erros cometidos em sua história recente, a equipe Williams sacramentou hoje o maior deles ao dispensar Felipe Massa.

Esqueçamos por um momento que se trata de Felipe Massa, esportista de qualidade e melhor ainda como cidadão. Esqueçamos também que tal desfecho representa o ocaso de uma época. Após 47 anos ininterruptos com pilotos brasileiros no grid de Fórmula 1, o país não estará representado a partir de 2018. Concentremo-nos, então, no erro da organização de Frank Williams.

Mas por que é um erro?

Vamos aos fatos:

1 – Salvo ter se conformado com o papel de coadjuvante, a Williams precisa urgentemente construir um carro competitivo e entregá-lo nas mãos de gente experiente, como Massa;

2 – A construção de um carro competitivo passa necessariamente pela identificação dos problemas ainda na temporada anterior e, principalmente, na fase de desenvolvimento, capacidade essa que Massa tem de sobra;

3 – O conhecimento técnico, a sensibilidade mecânica e a autoridade desportiva conferem ao piloto condições de conversar de igual para igual com o corpo técnico, predicados que Massa possui e que ajudam enormemente na reparação dos problemas;

4 – Uma equipe com deficiência técnica já está suficientemente sob pressão para evoluir rapidamente, razão pela qual o que menos ela precisa é de uma guerra declarada entre seus pilotos. Pensar na equipe e não no próprio umbigo, como é o caso de Massa, tem peso positivo no processo;

5 – Qualquer piloto que ocupar o lugar de Massa não se juntará à Williams para somar, mas chegará com a gana de destruir Lance Stroll e assumir o protagonismo na base da ruptura; protagonismo esse que foi reassumido por Massa sem necessidade de aplicar a tática de “terra arrasada”, mas em função de sua capacidade de somar forçar;

6 – Qualquer um que analisar sem paixões os resultados de Felipe Massa, verá que a pontuação atual é circunstancial e que o brasileiro teve papel importante na evolução de Lance Stroll, seja tecnicamente, seja no equilíbrio mental;

7 – Por fim, vale dizer que toda a contribuição que Massa poderia dar para o novo carro deixa de existir, da mesma forma que a fase de testes perde um membro valioso.

É verdade que o episódio Rosberg/Bottas tumultuou a Williams e a opção por Massa teve caráter emergencial, o papel de contornar a tormenta. Para seu lugar em 2018 a equipe, certamente, teve tempo para fazer suas análises.

Se trouxer alguém com currículo estrelar e capacidades especiais, o erro ora pensado estará circunscrito à miragem deste jornalista. Mas esse mesmo erro, potencialmente, alcançará as esferas de verdade irrefutável se a equipe tiver de pagar o preço por menosprezar a experiência em nome de alguém que precisará remar do zero.

Miragem ou verdade irrefutável? Infelizmente, de forma concreta, só a temporada 2018 responderá.

 

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. concordo fortemente, pois kubiça chegará sem noçao alguma dos atuais carros, dos problemas a serem corrigidos, de ideias que de repente foram deixadas de lado no inicio de 2017 que possam ser aplicadas agora, e enquanto isso Stroll que está no time ainda não tem a experiencia de perceber e saber passar a equipe tecnica o que pode ser melhorado. na minha opiniao, Williams piora para 2018 e será mais deprimente seu ano.

  2. Felipe já tinha sido alertado sobre problemas de orçamento para o ano que vem, dado que dois patrocinadores deixarão a equipe. Se for isso mesmo, será como você falou no texto acima. Com o agravante de que a Williams tem um histórico interessante de decisões questionáveis.

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.