Sua carreira poderia ter terminado pouco antes de começar, mas por certo ele faltou na aula que ensinou o verbo “desistir”

Por Américo Teixeira Junior

Tony Kanaan tem fãs em todas as “tribos”, onde quer que elas estejam (Fotos IndyCar Media)

Foram tantos os obstáculos que a vida colocou diante de Tony Kanaan que, em seu lugar, muitos teriam desistido. Ainda criança perdeu do pai, teve de conviver por longo tempo com a massacrante falta de patrocínio e parecia impossível ser capaz de avançar na carreira diante de dificuldades. A ele só cabiam duas opções, não havia uma terceira. Ou se encolhia num canto para se submeter à derrota ou arregaçava as mangas para enfrentar os “muros” que se atreviam a separá-lo de seus objetivos.

A começar pela mãe Mirian e da irmã Karen, o soteropolitano nascido em 31 de dezembro de 1974 contou com muita ajuda, é verdade. Não que as coisas lhe caíssem do céu, pelo contrário, mas era muito fácil ser atraído pelo “jeito Kanaan de ser”. O talento, a dedicação, a força de trabalho, o carisma pessoal, a aplicação profissional e a incansável energia de seguir em frente, de fato, cativavam – e cativam!

O mais interessante de tudo é que suas marcas registradas nunca mudaram. O otimismo e o bom humor da infância permaneceram os mesmos na adolescência e na fase adulta, apenas lapidados pela experiência e maturidade. E se, como esportista, desde cedo se transformou em ídolo mundial e cidadão do mundo, a jeito de ser do papai Tony aumentou ainda mais o encantamento de seus fãs para com ele. É, de fato, um merecedor do sucesso que tem.

Tudo isso passou pela minha cabeça hoje pela manhã, assim que soube de sua escalação para substituir Sebastién Bourdais em Le Mans. Pensei: “Esse moleque é mesmo um gigante. Olha onde foi parar aquele menino que nunca desistia, mesmo que a coisa estivesse muito ruim”.

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2 COMENTÁRIOS

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.