Por Americo Teixeira Jr. – Automobilismo não é mais um esporte de massa. Essa é uma realidade que todos os que estão envolvidos deveriam saber. De pronto, a morte de Ayrton Senna afastou aquele fã do piloto e de tudo o que ele representava, não propriamente do automobilismo. O modelo de transmissão para a Fórmula 1, adotado pela Rede Globo, afastou outra legião. Cansaram-se, muitos, do modelo ufanista das narrações e da concentração unicamente na corrida.

Galvão Bueno é brilhante. Melhor do que ele apenas Luciano do Valle em seu melhor momento. Ocorre que perdeu sentido o esforço de manter o telespectador ligado por meio do apelo emocional, em detrimento da informação aprofundada. Se em décadas passadas era o que tínhamos, a era digital mostrou o quão pequena é a abordagem da Globo em relação a todo o universo de uma corrida de Fórmula 1. A única exceção é o Grande Prêmio do Brasil.

Cada palavra do parágrafo anterior cabe também à Band quando o assunto é Fórmula Indy. Salvo as intensas e importantes coberturas da Indy 500 e etapas no Brasil, o restante da temporada é mostrado de forma acanhada, mesmo quando em canal fechado. Esse, aliás, é o grande pecado do Band Sports, que é mostrar as provas da Indy no mesmo formato do canal aberto. O canal por assinaturas do Grupo Bandeirantes avançará muito se adotar um formato de transmissão muito mais amplo do que simplesmente abrir com os carros na pista e encerrar sem mostrar o pódio.

Nesse sentido, o SporTV já mostrou que entendeu o recado e mostra a Fórmula 1 de maneira diferenciada. Não tivesse de se valer dos chamados “horários alternativos”, pelo fato de a Globo transmitir a categoria, a Fórmula 1 no SporTV atingiria um nível jamais visto na TV brasileira. Quando teve oportunidade, o canal teve um padrão muito elevado. Mas como não tem essa primazia, perde para a Fox Sports Brasil em termos de excelência no automobilismo. O que a emissora fez nesse fim de semana na 24 de Le Mans foi um marco histórico. Com esse padrão, o canal está fadado a ser a referência do automobilismo no Brasil. Só tem de trocar o infeliz refrão “Torcemos Juntos”. O fã do esporte não que mais uma emissora torcedora, mas verdadeiramente informando e análisando, exatamente como a Fox Sports Brasil fez em Le Mans.

Especializado em endurance, o jornalista Rodrigo Mattar foi nome de destaque na Fox Spots Brasil durante as transmissões da 24 Horas de Le Mans (Foto Fox Sports Brasil)
Especializado em automobilismo e endurance, o jornalista Rodrigo Mattar foi nome de destaque na Fox Sports Brasil durante as transmissões da 24 Horas de Le Mans (Foto Fox Sports Brasil)
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3 COMENTÁRIOS

  1. Obrigado Américo por abordar este assunto.
    Infelizmente também não consigo vislumbrar a permanência das transmissões do automobilismo em tv aberta.
    Na tv fechada temos dois bons exemplos de como apresentar categorias de destaque: Sportv com a Fórmula 1 e Stock Car e, o Fox Sports com as categorias norte-americanas principalmente a Nascar. Formatos muito bons, profissionais que tem conhecimento do assunto o que torna agradável as transmissões para o público que realmente gosta e acompanha as categorias.
    Mas existem outros exemplos lamentáveis, como o da Band. No Bandsports a coisa está horrível! As transmissões esse ano me dão desespero! Se o Felipe Giaffone ou o Téo José não estão presentes, as transmissões são incrivelmente ridículas! O narrador (não sei o nome dele) aparentemente nunca tinha assistido a uma corrida em sua vida, nunca ouviu falar dos circuitos da categoria, não tem noção de estratégias, parte técnica então… (Alabama, Detroit e Toronto como exemplos) Realmente sofrível. Isso para não falar do DTM, a segunda rodada dupla não foi apresentada até agora (me corrija se estiver errado) no canal que tem EXCLUSIVIDADE, passado duas semanas!
    Nos canais Sportv tirando as principais categorias, o panorama não é muito melhor, acredito que o público do automobilismo merece um pouco mais de respeito, acompanhamos as categorias, não somos idiotas. Mas no país do futebol, infelizmente o automobilismo está relegado a segundo plano, não tem como competir

  2. Excelente como sempre, Américo! Gosto das transmissões do Fox Sports, muito pela descontração e pela interatividade, no Brasil temos excelentes profissionais trabalhando com automobilismo, mas que são muito mal aproveitados por causa da abordagem das emissoras. Concordo com o Anderson Nascimento, que disse que a Globo precisa de um novo modelo de transmissão (não só na F1), só acho que não pode ser aquela descontração forçada,falsa, como acontece no Globo esporte. Uma coisa que me incomoda na Globo e na Band é que eles tem direitos de transmissão dos eventos, mas em seus programas sobre esportes focam apenas no futebol, as pessoas ligam a TV nessas emissoras esperando poder ver alguma noticia da Indy ou da F1, e nada.
    O que acho ruim no fato do esporte ter que migrar pra TV fechada é que pra pessoas como eu, que ligam a TV só pra assistir corrida, não compensa nada pagar pelos pacotes oferecidos pelas operadoras, com dezenas de canais que não interessam.

  3. Realmente o destino das transmissões de eventos automobilísticos no Brasil deveriam ser unicamente nos canais por assinatura, já que não funciona mais em TV aberta. Para voltar a funcionar na Globo, um novo modelo de transmissão deveria ser colocado em prática, com pessoas mais jovens e apelo para as mídias sociais (já que cada vez mais pessoas utilizam a segunda tela ao assistir televisão).

    O FOX Sports traz muito disso. As transmissões da NASCAR tem muita interatividade com o telespectador através do Twitter. Gosto muito do modelo da emissora e das transmissões comandadas por Sergio Lago.

    Sobre o slongan, acho que não tem relevância nenhuma quanto a atrapalhar a transmissão, é só uma ferramenta de marketing, que pelo visto tem dado certo.

    Abraços!

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.