Dentro de uma normalidade técnico-desportiva, a temporada 2018 será repetição das mais recentes, com hegemonia da Mercedes e Lewis Hamilton

Por Américo Teixeira Junior

Excetuando-se as inquietações provocadas nas mentes dos engenheiros pela introdução da auréola protetora obrigatória, a Fórmula 1 de 2018 promete não diferir muito do que tem sido visto desde a introdução – reintrodução, melhor dizendo – dos motores com turbo compressores, em 2014.

É óbvio que cada equipe tratou de buscar novas soluções para resolver seus problemas recentes, cada uma em seu grau distinto. Enquanto Ferrari e Red Bull trabalharam para duelar diretamente com a Mercedes na busca por vitórias e títulos, há aquelas que tentam fugir dos desastres recentes, como são os casos de Sauber, McLaren, Williams e Renault, principalmente. Entretanto, não há nada que justifique imaginar uma mudança de quadro porque, na sua base principal, o regulamento continua o mesmo.

E essa fase de predomínio da Mercedes, equipe que foi mais eficiente no manuseio das regras atuais, só estaria em risco se um alemão maluco tivesse tido um surto e decretado: “Ah, cansei de ganhar, joga tudo isso fora e vamos começar tudo do zero para 2018”. Mas como não tem alemão maluco por lá – nem alemão, nem de nacionalidade alguma -, o negócio é não esperar novidades substanciais.

Dessa forma, os lançamentos dos carros coloridos e “haloados” nada dizem. Somente um olhar tecnicamente privilegiado pode intuir, num pousar d’olhos, que o carro X tem potencial para apresentar o desempenho Y porque trouxe como novidade o detalhe Z. Para os demais, somente os testes que começam na segunda-feira, em Barcelona, permitirão indicar alguma coisa. E, por “alguma coisa”, entenda-se, salvo engano, “tudo na mesma”.

Se pelo menos houver um melhor agrupamento entre os 20 carros inscritos, com mais gente se aproximando da Mercedes, com fez a Ferrari em parte do ano passado, já será um ganho de competitividade.

Capa/Destaque: Mercedes W09 EQ Power+ (Foto Mercedes AMG Petronas Motorsport)
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1 COMENTÁRIO

  1. Concordo contigo, Américo, e sua análise realista nos mostra a face de uma fórmula 1 que insiste em manter regras que impedem a competição, algo já intrínseco na própria história da categoria, e causa hegemonia de marcas de tempos em tempo. A preocupação é que, diferente da era da Mclaren e Ferrari, a Mercedez apresenta um domínio insosso. Firme, competente, eficiente, mas insosso. Falta a ela o brilho das duas marcas, ou da outrora Lotus negra de Chapman. Talvez por isso, não causa tanto furor como em domínios de épocas passadas. O resultado é o mais do mesmo, numa temporada que corre o risco de ser entendiante no bloco da frente. Apesar de torcermos pela competição, a realidade tende a ser como descreveu e nos resta esperar por alguma surpresa agradável como foi a Ferrari ano passado.
    Abraços e parabéns pelo post.

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.