Daniel Ricciardo não precisou que Hamilton, Bottas e Vettel abandonassem para vencer o movimentado GP do Azerbaijão, a melhor corrida do ano até aqui

Por Américo Teixeira Junior

Vettel e Hamilton: Sete títulos reunidos não foram o bastante para evitar o espetáculo grotesco (Reprodução FOM)

Dentre todas as corridas disputadas aqui até na temporada 2017 da Fórmula 1, nenhuma foi tão disputada quanto o Grande Prêmio do Azerbaijão, pequeno país asiático localizado a oeste do Mar Cáspio. No exclusivo circuito de rua da capital Baku, dotado da maior reta do calendário, com 2,2 km de comprimento, o australiano Daniel Ricciardo não precisou que os principais protagonistas do Mundial abandonassem para vencer pela quinta vez na carreira. Foi o palco do primeiro pódio do canadense Lance Stroll, com o 3º lugar, apesar de ter perdido a vice-liderança para o finlandês Valtteri Bottas praticamente na linha de chegada, a 0s105 de diferença na bandeirada.

Mas foi também na cidade de pouco mais de 2,2 milhões de habitantes que os campeões mundiais Sebastian Vettel e Lewis Hamilton se esqueceram de que são modelos para milhões de jovens espalhados pelo mundo e agiram como amadores.

Por falar em “amadorismo”, ainda na segunda curva após a largada, Bottas jogou o Mercedes W08 #77 na lateral esquerda do Ferrari SF70H #7 do finlandês Kimi Haikkonen. Era um indicativo do que viria a seguir.

Uma pane eletrônica, que apagou por completo o Toro Rosso RTS12 #26 de Daniil Kvyat na volta 10, e o abandono de Max Verstappen, por problemas no motor Renault do Red Bull RB13 #33 três passagens depois, provocaram longa intervenção do Safety Car, sob o comando do piloto alemão Bernd Maylander.

A seguir, quando a corrida caminhava para a relargada, o principal incidente da prova acontecia com Hamilton dando uma de malandro e Vettel perdendo a cabeça. Líder da prova desde a largada, o inglês da Mercedes comboiava o Safety Car na volta 19, quando todos foram avisados de que a corrida seria reiniciada no complemento daquela passagem. Num dos últimos trechos, exatamente na tomada para a esquerda da Curva 16, Hamilton usou da sua costumeira tática para conseguir vantagens nas relargadas. Mesmo sem colocar o pé no freio (fato esse comprovado pela telemetria; o que seria passível de punição), ele permitiu que o carro atingisse o máximo possível de desaceleração para provocar uma freada de quem vinha atrás, no caso Vettel.

Punição branda

Acontece que, nessa altura da prova, o então vice-líder vinha colado e, por consequência da atitude de Hamilton, não conseguiu evitar o choque e quebrou a asa dianteira do Ferrari #5 na traseira do Mercedes #44. Com os nervos nas alturas, o alemão esbravejou, emparelhou e jogou seu carro contra o do inglês. Pela manobra, recebeu um Stop and Go de 10s e mais três pontos na carteira (somando-se aos seis que já tinha) como punição atribuída pelos comissários Paul Gutjahr, Enzo Spano, Danny Sullivan e Anar Shukurov.

Numa análise muito específica do ocorrido, a FIA foi branda para com ambos. A malandragem de Hamilton não poderia passar em branco, como passou nesta e em outras corridas. É totalmente lícito usar de táticas legais para obter vantagem competitiva, mas quando isso chega às raias de provocar acidentes, deixa de ser estratégia para ser atitude perigosa. Já Vettel ficou no lucro com a punição que recebeu.

Foram várias as atitudes semelhantes de revide, no Kartódromo de Interlagos no final dos anos 80, que foram punidas com exclusão dos infratores por parte de diretores de provas como Almir Abreu Vidal Junior, Cláudio Wilson Vieira ou Carlos Altivo Proença.

Claro que naqueles tempos a punição rígida se justificava porque os então meninos estavam em formação enquanto esportistas e cidadãos. Já no caso específico de Vettel, marmanjo, o rompante de irresponsabilidade não precisaria chegar a tanto em termos de punição, mas da forma como aconteceu reserva ao ato ares de quase impunidade.

Tempo quente na Force India

Sergio Perez (11) e Esteban Ocon (31) terão muito a conversar nos próximos dias (Foto Sahara Force India F1 Media)

Para esquentar ainda mais o clima entre os pilotos da Force India, na relargada do início da volta 20, o francês Esteban Ocon acabou se chocando contra o seu teammate mexicano Sergio Perez na disputa pela 4ª colocação, já que Felipe Massa, com Williams FW40 Mercedes #19, deixava os comandadso de Vijay Mallya para trás.

Enquanto Massa partia para tentar a vice-liderança de Vettel, pedaços dos dois MJM10 ficavam pelo caminho. E foram tantos que a direção de prova optou parar tudo e limpar o cenário da prova, decretando bandeira vermelha na volta 21. A paralisação foi providencial para Raikkonen – já havia abandonado por problemas no assoalho – e Perez, que de outro modo não conseguiria voltar após o choque com Ocon.

Quando a corrida recomeçou, foi a vez de Ricciardo partir com tudo para buscar a vitória. Quando a volta 24 começou, já passou emparelhado com o Renault #27 do alemão Nico Hulkenberg. Metros adiante, na tomada da curva 1, já estava em 3º, pois havia ultrapassado a dupla da Williams praticamente de uma vez só. Na outra volta, uma quebra na suspensão traseira fez com que Massa abandonasse justamente numa prova que não é exagero dizer que se credenciava com um forte postulante ao pódio – à vitória, até.

Depois de cumprir a punição, Vettel ainda encontraria Hamilton pelo caminho, que precisou parar para substituir a proteção de pescoço do cockpit. Comportaram-se, entretanto. A alegria de Perez durou pouco, pois teve de abandonar por quebra do banco, da mesma forma que Hulkenberg perdeu a chance de marcar pontos ao acertar o muro no “esse” do castelo.

Corridaça, portanto.

 

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Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.