Sebastian Vettel venceu a corrida de abertura do Mundial 2018 ao driblar, com estratégia e visão de prova eficientes, a clara superioridade de Lewis Hamilton

Por Américo Teixeira Junior

Lewis Hamilton perdeu em Melbourne por ineficiente “leitura” do GP pela Mercedes (Foto Wolfgang Wilhelm/Mercedes)

Apesar da vitória de Sebastian Vettel neste domingo em Melbourne, a Ferrari não pode ser considerada, de maneira isolada e absoluta, a grande vitoriosa do Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1. Na verdade, o piloto alemão do Ferrari SF71H #5 conquistou a 48ª vitória como resultado de estratégia arriscada e do melhor aproveitamento do período de Safety Car, primeiro virtual e depois real. Em contraste, a Mercedes desperdiçou um conquista certa, aniquilando nos boxes a vantagem que Lewis Hamilton construiu na pista.

O inglês ratificou a pole position conquistada no sábado – a 73ª de um currículo composto por 209 GPs – e assumiu a ponta com o Mercedes W09 #44, seguido por Kimi Raikkonen e Vettel, que também mantiveram as respectivas posições no grid. E os três estavam com o mesmo tipo de pneu Pirelli: o Ultra Macio.

Seguiram-se, então, 18 voltas de Hamilton na liderança, sendo que em 12 delas foi o mais rápido do que a dupla da Ferrari. O finlandês só conseguiu ser mais rápidos e cinco voltas, e Vettel, o pior dos três no início de prova, só se sobressaiu na 7ª volta.

Essa “lentidão” de Vettel já fazia parte da estratégia que se mostrou vitoriosa. O plano consistia em retardar o máximo possível a única parada programada e ficar atento ao andamento da prova, de modo que a troca de pneus pudesse coincidir com uma eventual bandeira amarela. Mas todo esse cenário hipotético parecia pouco producente diante da iminente vitória que estava sendo construída por Hamilton.

A boa presença da Haas em Melboune não impediu que a equipe vivesse seu mais desolador dia (Foto Haas F1 Media)

O começo da derrota

Os dois primeiros na corrida até então, visto a adotação de estratégias conservadoras, iniciaram suas paradas na volta 18, quando Raikkonen parou para colocar pneus macios. O mesmo caminho e procedimento foi adotado por Hamilton na volta seguinte.

Com 21s421 de tempo total na parada de Raikkonen, a Ferrari foi exatos 0s400 mais eficiente do que a Mercedes, que registrou 21s821 para Hamilton. Essa vantagem não foi o bastante para que houvesse troca de posições entre ambos, pois o avanço de Hamilton já superava os 3s antes das paradas.

Líder da prova a partir da 19ª volta, Vettel tratou de acelerar e foi o mais rápido dos três por quatro voltas consecutivas. Na última delas, a 22ª, a estratégia começou a ganhar forma, quando o Haas VF-18 #20, do dinamarquês Kevin Magnussen, fez sua parada.

Magnussen e seu teammate, o francês Romain Grosjean, estiveram o tempo todo entre os três primeiros e abriam caminho para fechar a corrida com os dois carros da equipe entre os pontos. Mas toda essa performance se transformou num “soco no estômago” quando Magnussen preciso abandonar com uma roda solta. Duas voltas depois, confirmando que um mesmo local pode ser atingido por raios duas vezes, idêntico problema alijou Grosjean da corrida.

Com o acionamento do Safety Car Virtual, a Ferrari entendeu que era o momento ideal de chamar Vettel aos boxes. Ele também não conseguiu ser mais rápido, no tempo total, do que Raikkonen, mas foi 0s038 melhor que Hamilton. Na somatória das ações, Vettel voltou na frente do piloto da Mercedes e lá ficou até vencer o Grande Prêmio da Austrália após 58 voltas e 1h29min33s238.

Restou para a Mercedes a indigesta constatação de que, ao somar o trabalho de pit e a avaliação dos dados de que dispunha, perdeu total e absolutamente na Austrália. A avaliação desse cenário tomará muito tempo de seus dirigentes nos próximos dias, o que significa dizer que, no Bahrain (8 de abril), nada será admitido menos do que a vitória.

Foto Capa/Destaque: Ferrari Media

 

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Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.