É desconfortável observar a lentidão das duas principais categorias de monopostos sobre um tema tão importante

Por Américo Teixeira Junior

Lugar de itens de segurança é nos carros para testes, sem postergação (Montagem com fotos disponibilizadas por Force India Media e IndyCar Media)

É verdade que, de uma forma ou outra, há soluções para testes ou mesmo utilização nas pistas, mas Fórmula 1 e IndyCar trabalharam com atraso em soluções para proteger pilotos de lesões na cabeça. A primeira estreará só nesta temporada o Halo, que em inglês significa auréola. Já a categoria norte-americana só agora está testando uma espécie de para-brisa, o Windscreen.

Quando o Halo estrear no Grande Prêmio da Austrália (25 de março, Melbourne), estarão completando exatos 8 anos, 8 meses e 6 dias da morte de Henry Surtees. Aos 18 anos, o filho de John Surtees morreu numa prova de Fórmula 2, em Brands Hatch, quando foi atingido na cabeça por uma roda oriunda de um acidente.

A IndyCar também está prá lá de atrasada, uma “eternidade” desde os acidentes que mataram Dan Wheldon e Justin Wilson. Os ingleses morreram com diferença de 3 anos 10 meses e 8 dias, ambos com lesões irreversíveis na cabeça.

O vencedor da Indy 500 (2005 e 2011) perdeu a vida em Las Vegas (16 de outubro 2011) em acidente na largada, quando seu carro foi projetado e sua cabeça se chocou contra um dos pilares da grade de proteção que separa o público da pista. Wheldon morreu aos 33 anos, deixando a esposa Susie e os filhinhos Sebastian (2 anos) e Oliver, apenas um bebê de colo nascido naquele mesmo ano.

Já o ex-piloto de Fórmula 1 morreu em decorrência de um acidente no trioval de Pocono no dia 24 de agosto de 2015. após sua cabeça ser violentamente atingida por destroços do carro de Sage Karam, que na ocasião liderava a prova com um carro da Chip Ganassi. Wilson tinha 37 anos, era casado com Julia Wilson e as filhas Jane Louise e Jessica Lynne tinham 7 e 5 anos quando o pai morreu.

É preciso ter muito claro que cada acidente tem dinâmica e geração de energia muito particulares – e normalmente violentas. É impossível saber, portanto, se algum tipo de proteção, dentre as atualmente consideradas, teria sido capaz de salvar Surtees, Wheldon ou Wilson. O mesmo pode ser dito em relação a tantos outros acidentes.

“Sim”, “Não”, “Acho que Sim”, “Acho que Não”, de nada importam essas respostas. O que realmente importa é que os responsáveis por essas competições não podem ficar tanto tempo achando isso ou aqui. Há de se ter vontade política e acelerar o passo.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Estão matando o open wheel. O cockpit aberto é uma das suas mais elementares categorias. Estão transformando a coisa em algo sem identidade, genérico. É o caminho para a morte — não dos pilotos, mas da modalidade.

    • Prefiro, então, que a categoria morra do que pilotos morram de formas que possam ser evitadas. O imponderável e o inevitável vão continuar matando. Isso é fato. Mas se um dos três tivesse sobrevivido se houvesse um halo ou um windscreen no carro, já terá valido a pena todos os “efeitos colaterais” que ele traga.
      Há cinquenta anos atrás, se corriam em carros sem aerofólio, rodas estreitas, capacetes de couro e sem cinto. Hoje temos rodas largas, aerofólios, santoantônio, capacetes de materiais megaresistentes, e o automobilismo de fórmula segue vivo. Não vai ser uma havaianas de titânio nem um parabrisa que vão matar a categoria.

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.