Da esquerda para a direita: o primeiro vice-presidente da CBA, Milton Sperafico; a piloto xxx; o diretor da CBA, Nestor Valduga; e Rudolfo Rietch (Reprodução Facebook)
Da esquerda para a direita: o primeiro vice-presidente da CBA, Milton Sperafico; a pilota Cristina Rosito; o diretor da CBA, Nestor Valduga; e Rudolfo Rieth (Fotos Reprodução Facebook)

Por Américo Teixeira Junior – Uma “quadrilha” que precisa ser “eliminada”. É assim que a Gestão Cleyton Pinteiro, da Confederação Brasileira de Automobilismo, é definida pelo gaúcho Rudolfo Edmundo Rieth Filho, segundo vice-presidente da entidade máxima do automobilismo brasileiro. Membro da atual diretoria desde a posse da vitoriosa candidatura de reeleição, em chapa única, o dirigente reconhece que ficou “muito tempo assistindo passivamente o que podemos chamar a falência do automobilismo brasileiro”. Essa postura, entretanto, mudou radical e oficialmente desde a mais recente assembléia da CBA, realizada em Belo Horizonte (MG), quando abriu guerra contra a atuação gestão. Ouvido com exclusividade pelo Diário Motorsport, destacou que “o mais preocupante [é que] esta máfia quer se perpetuar no poder”.

Ex-piloto de rali e arrancada, Rieth já ocupou a presidência do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul e cargos na Federação Gaúcha de Automobilismo. Revelou que a sua escolha para a chapa de reeleição de Pinteiro fez parte de um arranjo político. “Como na época já existia alguma resistência por parte da federações da região Sul quanto a reeleição, Pinteiro ofereceu os cargos de primeiro e segundo vice-presidentes para o Paraná e Rio Grande do Sul, respectivamente”, referindo-se ao primeiro vice, o ex-campeão Sul-americano de Fórmula 3 B, Milton Sperafico. O terceiro vice-presidente é o ex-presidente da Federação Pernambucana de Automobilismo Zeca Monteiro, pai do piloto Beto Monteiro.

Rudolfo Rieth
Rudolfo Rieth faz parte do segundo mandato do presidente Cleyton Pinteiro, iniciado em 2013

Rieth afirma, porém, que o grupo foi completamente ignorado pelo presidente após a posse – “até hoje nunca fomos convocados para uma reunião de diretoria” – e que sugestões foram desconsideradas. “No início do mandato, apresentei projetos para a criação de um campeonato de Turismo organizado pela CBA. Como resposta ganhei apenas promessas e um cínico sorriso do presidente Cleiton. O lixo foi o destino”, contou o dirigente, que considera a CBA “uma mera vendedora de carteira para pilotos e arrecadadora de taxas dos promotores”, exemplificou.

Estatuto modificado

O segundo vice-presidente acusa formalmente o presidente Cleyton Pinteiro de ter contrariado por diversas vezes o Estatuto da CBA e de fazer modificações em seu texto à revelia dos presidentes de federações. Incluiu na acusação o diretor Jurídico Felippe Zeraik, a quem classifica como “fiel escudeiro” do presidente que, “[quando em viagem] nunca transmitiu o cargo ao vice-presidente Milton Sperafico, preferindo sorrateiramente deixar como seu representante Felippe Zeraik”.

Sobre a questão do Estatuto, revela que a versão apresentada para assinaturas era diferente daquela discutida em assembleia. “Traindo a confiança de todos os presidentes de federações e os companheiros de diretoria, a dupla Pinteiro/Zeraik apresentou na Assembléia uma cópia do Estatuto para ser discutida. Logo após, foi apresentada a cópia modificada que todos assinaram e rubricaram”, denunciou. “Demos um cheque em branco para o presidente e ele alterou o valor”, concluiu o raciocínio.

Rieth baseia sua convicção no Artigo 24, que alega ter sido modificado sem discussão e aprovação em assembléia. Segundo ele, o texto original era esse: 

A diretoria reunir-se-á pelo menos de três em três meses, por convocação do presidente da CBA ou por seu substituto, com o comparecimento de no mínimo quatro diretores, não sendo exigível para esse efeito o comparecimento dos diretores extraordinários e deliberará por maioria simples dos presentes à reunião, cabendo ao presidente da CBA, ou ao seu substituto, o voto de desempate”.

Entretanto, informa que o texto publicado – e não o discutido – é esse: 

Artigo 24 – Parágrafo único – “O Conselho Diretor se reunirá sempre que se fizer necessário e for convocado pelo Presidente. As decisões do Conselho Diretor serão adotadas em qualquer caso pelo voto da maioria de seus membros presentes à reunião, cabendo ao Presidente, em caso de empate, além do seu voto, o de qualidade”.

Manobra de poder

O segundo vice-presidente classifica como “o mais preocupante” o fato de o presidente Pinteiro já ter lançado o presidente da Federação Pernambucana de Automobiliamo, Waldner Bernardo, como seu candidato às próximas eleições. “Essa máfia quer se perpetuar no poder. É inacreditável que uma pessoa sem nenhuma vivência no automobilismo, cria do próprio Pinteiro, seja lançada como candidato”, comenta o dirigente.

Rudolfo elenca fatos graves – “categorias morrem, circuitos são extintos, kartódromos destruídos, as montadores preferem preferem patrocinar Copa do Mundo e Olimpíadas” – e apresenta uma solução. “Que todos os presidentes de federações pensem no automobilismo como um todo e não se deixem iludir pelo sorriso maldoso do presidente”. Para ele, “a CBA e o automobilismo não merecem estar nas mãos destas pessoas”, concluiu o dirigente.

 Do Editor: A CBA foi procurada na segunda-feira, 16 de maio, para se posicionar e tão logo o faça estaremos publicando.

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9 COMENTÁRIOS

  1. Nesse fim de semana em Santa Cruz, conversei com Rudolfo Rieth e o Presidente da Federação Gaúcha. Eu disse à eles que não tenho nada contra a atual, nem tampouco às gestões anteriores da CBA, porem disse que o mais indicado para um futuro comando dentro da CBA, seria uma pessoa com influência dentro do Esporte-Motor, pessoa esta que poderia adentrar dentro de uma montadora, dentro de um Ministério dos Esportes, ter força politica e fazer alguma coisa boa em prol do Automobilismo Brasileiro. Gostaria de participar em alguma convocação para expor as idéias, batalhar em nome da categoria de mecânicos que estão afastados ou encontraram a velhice, criar um instituto com essa finalidade de ajuda-los.
    O mais importante de tudo é a nomeação de alguém com credibilidade, com postura e que conheça Regulamentos, Pistas, Marketing Esportivo, Promoções e Eventos. Não adianta ser qualquer um.
    O que vocês acham ?

  2. Infelizmente as instituições brasileiras estão indo a falência. Sou um brasileiro amante do automobilismo, mas não vejo crescimento nos últimos anos e nem apoio. Ainda acredito que temos diamantes brutos a serem lapidados no país, mas se as lideranças da CBA caminham para o interesse próprio, com certeza não descobriremos esses novos ídolos e sairemos do clube dos países invejados pela formação de grandes pilotos do automobilismo, o que já fomos. Se o Rudolfo”Zuio” Rieth mostrou que tem fumaça lá, só mostra o reflexo que vem acontecendo. É melhor apagar esse incêndio no começo antes que mais uma instituição desmorone. Acho que no minimo deveria haver uma auditoria para investigar essa delação.

  3. Desculpem, mas não compreendo esse chororô.
    Se o Sr. Pinteiro agiu à revelia dos estatutos, modificou o texto criminosamente? A justiça esportiva está aí para isso. Acionem-na, srs. diretores ou conselheiros ou seja lá que cargo tenham na CBA! Ajam!
    Se o digníssimo presidente da CBA viajou e não deixou o vice em seu lugar, bastava ao vice ir lá e sentar à mesa. O advogado iria expulsá-lo dali? Não, não iria. O problema é que pelo jeito o vice nem soube…
    O que falta é atitude. Me parece que o Sr. Pinteiro é quem tem a atitude – ainda que a use para fins próprios. O resto só fica num canto reclamando, apontando, mas sem coragem de assumir nada sério.
    Quem está acabando com o automobilismo são as pessoas que, sabendo da situação, não tomam as providências que deveriam para defender o nosso esporte de insetos daninhos como o Sr. Pinteiro.

  4. …a CBA reivindicar poder sobre toda e qualquer atividade de automobilismo no país é tão patético quanto CBF e FIFA reivindicarem poderes sobre peladeiros de fim-de-semana!!!… Porque a segunda hipótese nos soa tão absurda, e a primeira todos aceitam calados como cordeirinhos???…

  5. A minha opinião sempre foi que a CBA nao vem fazendo seu papel como entidade representativa do Automobilismo (principalmente o apoio as categorias regionais e uma politica de aproximação das montadoras Nacional para as monomarcas menores) tambem não podemos deixar de salientar o apadrinhamento de grandes eventos ; estes prejudiciais ao desenvolvimento de categoria de bases (aqui eu excluo o Kart). Sou favorável a uma outra outra chapa e aproveito para que estes nomes sejam lembrados .Rudolfo,Milton Sperafico,Cristina Rosito,Rubens Gatti entre outros honestos colaboradores .

  6. É uma situação complicada que parece replicar a situação que dominou a política brasileira, nestes últimos anos! Espero que, afinal, o Automobilismo brasileiro passe a trilhar a estrada certa!

  7. Ó comentário é tão grave e importante quanto idôneo é quem o faz. Na verdade não se limita a um comentário mas sim uma grave denúncia.
    Com 45 anos de prontuário na CBA, disputando vários campeonatos nacionais posso ratificar que muito pouco foi feito para o automobilismo Brasileiro. São muitos os descontentes, penalizados e que desistiram de participar do meio pelas temerosas gestões ao longo de muitos anos, 40 talvez. Mídias , patrocinadores, pilotos, equipes etc.. Sem duvidas o que o Rodolfo está fazendo é provocar uma grande reflexão sobre o que está sendo denunciado.
    É preciso mudar, profundamente. Parabéns pela atitude e coragem. É de homens assim que o nosso automobilismo precisa. Apenas para lembrar , nos anos 80, TODAS as fábricas de automóveis do Brasil participavam ativamente no nosso automobilismo, hoje nenhuma. Porque ??? Acho que agora está dito por alguém que está dentro da entidade. É sério.

  8. Parabenizamos a coragem e honestidade das declarações do Vice-Presidente Rudolfo Rieth. Conhecemos a firmeza de caráter e a retidão do Rudolfo a dezenas de anos, e lamentamos pelo nosso esporte preferido que a situação seja esta, como aliás quase tudo neste país que não tenha um dono e quando se toque, surgirão irregularidades.
    Esperamos seja este o início de um movimento de abrangência nacional com objetivo de moralizar o automobilismo de competição trazendo de volta a confiança principalmente de patrocinadores que se afastaram.
    Roberto Giordani.
    Coordenador da Confraria dos Pilotos Jurássicos.

  9. A alternativa de sair de tudo isso é fazer o esporte dirigido por pilotos e para pilotos são as Ligas
    Não é fácil, nós aqui em São Paulo já temos a nossa, mas até agora o que foi colocado de pedras no nosso caminho não foi brincadeira.
    Mas estamos chegando lá, esse caminho é sem volta

Muito obrigado por participar. Forte abraço, Americo Teixeira Jr.