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Aos 99 anos, faleceu Luiz Valente, um dos pioneiros do automobilismo

6 fevereiro 2010 593 views 0 comentários

O ex-piloto e construtor Luiz Valente, de 99 anos, faleceu na quinta-feira, 4, em São Paulo. Entrevistado pelo pesquisador Paulo Roberto Peralta, foi alvo de homenagens na edição nº 2 da Revista da FASP, em novembro do ano passado. Paulistano nascido em 16 de outubro de 1910, foi um dos remanescentes do tempo das Carreteras e dos carros Mecânica Nacional. Sua trajetória começou em 1948, com os chamados “adaptados de corrida”, e perdurou até 1961, quando deixou as pistas aos 51 anos.

Mas essa ausência foi momentânea, pois retornou em 1963, quando comprou dois carros. Um deles foi uma Alfa Corvette, de Justino de Maio, e o outro uma carretera Ford 34, adquirido de um mecânico que a estava preparando e desistiu. Neste chassi, instalou um motor Ford F-600. Com esses veículos poder correr por mais um tempo, sozinho ou em dupla com seu filho. A parada definitiva ocorreu em 1966, aos 56 anos. No depoimento, Valente contou algumas passagens de sua carreira:

Paixão de criança

Puxa! Adoro corrida de automóvel! Eu acho que já nasci encima de um automóvel. Com 16 anos já dirigia. Tenho carta de motorista há mais de 80 anos! A primeira corrida que assisti foi aquela na Avenida Brasil (GP Cidade de São Paulo, 1936), aí meu gosto por corridas ficou muito forte, eu não perdia uma. Quando ainda não era corredor, vivia no ambiente de corridas, me enturmando”.

A estréia

Minha estréia para valer foi em 1948, com um carro que eu mesmo fabriquei. Na verdade, eu e os meus colegas lá de onde eu trabalhava, a Duchen. Era um adaptado de corrida, mas com uma carroceria própria que eu fiz. A primeira corrida foi em Campinas (SP). Eu era federado, tinha a ‘caderneta’ de condutor, naquela época o automobilismo não era muito comentado. Nos anos 50, as corridas eram bastante disputadas, mas o automobilismo não era muito bem organizado. Em 1957 quando o Ângelo Juliano assumiu, as coisas melhoraram muito. Ele era o ‘Mosquito Elétrico’, organizava e acompanhava tudo. Tudo tinha que sair certo”.

Os carros

De carretera eu só corria a Mil Milhas. Participei de sete delas. As de 1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1961 e 1965. Usava o meu carro de passeio, um Ford Coupé 1938, motor V8 (8BA), eu transformava só para a Mil Milhas. Era todo envenenado. Bom, ele era ruim de freio, mas eu gostava do carro. Naquela época eu era moço, não tinha temor de nada. O 38 tinha freio mecânico, que eu modifiquei para hidráulico, ficou mais ou menos. Gostava mais de correr com Mecânica Nacional, os “charutinhos”, os verdadeiros carros de corrida, eu gostava muito da velocidade (Em 1950, construiu seu Mecânica Nacional definitivo, não mais um ‘adaptado de corrida’, mas continuou fiel à mecânica Ford com o ‘Duchen Especial 22’ com o qual correu até a prova 500Km de 1960. Depois, vendeu-o para Antonio Carlos Aguiar)”.

Os custos

A firma onde eu trabalhava me ajudava, eles gostavam de automobilismo. Eu fazia tudo lá, construía, preparava e reparava. Eles me patrocinavam também, eu fazia propaganda dos ‘Biscoitos Duchen’ e eles me pagavam. Cada corrida eu ganhava um pouco, independentemente do que eu recebesse nas corridas. Os prêmios eram meus”.

Emoção e despedida

Chegar em 2º lugar na primeira prova 500 Km foi uma grande emoção. Não era fácil, era muito esforço, já pensou? Eu parei de correr definitivamente em 1966, com 56 anos. Depois disso, fui pouco a Interlagos”.

(Saiba mais sobre a carreira de Luiz Valente no site Bandeira Quadriculada, de Paulo Roberto Peralta)

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